Uma disputa muito acompanhada por uma vaga na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos está em andamento na Virgínia, onde o republicano Rob Wittman tenta manter a cadeira que ocupa desde 2007 contra a democrata Shannon Taylor. Wittman venceu por quase 13 pontos percentuais há dois anos, mas analistas eleitorais agora consideram a disputa competitiva.
Em um local de votação em Hanover, uma região tradicionalmente conservadora, eleitores e voluntários de campanha descreveram preocupações diferentes com o custo de vida, o aborto e o governo do presidente Donald Trump. Os republicanos disseram temer que uma maioria democrata pudesse bloquear as políticas do presidente, enquanto os eleitores democratas esperavam que ela limitasse seu poder.
Uma eleitora republicana, que pediu anonimato, reconheceu que o custo de vida está alto, mas disse temer que o controle democrata pudesse piorar a economia com aumentos de impostos. Ela afirmou que o aborto era sua principal preocupação e o descreveu como uma questão de proteger a vida dos nascituros.
Dois voluntários republicanos na escola também criticaram propostas relacionadas ao aborto e os direitos de pessoas transgênero, especialmente a participação de mulheres trans em esportes. Eles apoiavam Trump apesar de não gostarem de seu estilo de comunicação, argumentando que suas políticas eram eficazes. Rejeitaram as alegações de que ele havia prejudicado a economia e disseram que os democratas poderiam usar o controle do Congresso para obstruir sua agenda e iniciar investigações contra ele.
Uma das voluntárias, Lisa, 79 anos, disse temer que os democratas revertessem políticas recentes e se concentrassem em ações judiciais contra Trump. Enquanto isso, uma voluntária democrata da região criticou a influência do presidente sobre os republicanos e alertou para a concentração de poder em suas mãos. Ela disse que uma vitória democrata não deveria ser usada para retaliação política e pediu regras de ética mais rigorosas no Judiciário.
Jennifer Bowles, 44 anos, disse que suas opiniões passaram de mais conservadoras a progressistas por volta de 2020, em grande parte por causa do primeiro mandato de Trump. Ela mencionou a imigração, os direitos ao aborto e o casamento entre pessoas do mesmo sexo entre suas preocupações. Embora reconhecesse que Hanover continua sendo um bastião republicano, ela esperava que uma maioria democrata pudesse servir de contrapeso ao presidente.
Em Richmond, um bastião democrata que faz parte do quarto distrito congressional, os eleitores entrevistados pela Folha se concentraram no custo de vida e no histórico de Trump, especialmente à luz das promessas de campanha dele sobre a economia. A cidade deu a Kamala Harris uma ampla vantagem na eleição presidencial de 2024.
O funcionário público Sam Jasinski, 30 anos, disse que os preços continuavam altos e argumentou que medidas do governo haviam tornado a vida mais cara. Ele afirmou que as condições eram menos acessíveis do que em 2024, contrastando essa situação com as promessas de campanha de Trump de melhorar o poder de compra.
Ash, 23 anos, que não informou o sobrenome, disse que os preços dos alimentos — especialmente da carne — estavam subindo mais rapidamente do que os salários. Ela também criticou os cortes na força de trabalho federal e o envolvimento dos Estados Unidos em conflitos militares, dizendo que Trump havia prometido evitar novas guerras. Embora tenha votado nos democratas, disse que não concordava com todas as decisões do partido. Sua principal esperança era que uma maioria democrata obrigasse o governo a negociar, em vez de simplesmente aprovar suas propostas.
Ashley W., 27 anos, que trabalha nas escolas públicas de Richmond e na Universidade da Virgínia Commonwealth, também mencionou a imigração, a guerra e o custo de vida como preocupações. Ela disse acreditar que Trump estava mais interessado em beneficiar a si mesmo e às pessoas próximas a ele do que o público americano.
Fontes: Folha Mundo.