Ritsia, a irmã de 24 anos de Pengo Bossio Wangi, falou publicamente pela primeira vez no domingo à noite durante uma transmissão do programa "Sept à huit" da TF1. Seu depoimento ocorreu nove dias após seu irmão ter sido morto em Trappes na sexta-feira, 23 de outubro, num ato descrito como um ataque racista. O atirador, identificado como Kevin T., reconheceu suas ações e está atualmente detido provisoriamente após ser indiciado.
Durante a entrevista, Ritsia expressou seu desejo de que o sistema judiciário seja firme, ao mesmo tempo em que homenageava a memória de seu irmão. Ela afirmou que aguarda paz para si mesma e segurança para as pessoas. Descrito por sua família como um irmão mais velho excepcional, Pengo era um lutador amador de 26 anos e uma promessa em ascensão na Academia Atch, em Aubervilliers. Natural de Poissy e residente em Guyancourt, ele estava a caminho de Trappes para um treino com o objetivo de se tornar agente de segurança quando encontrou Kevin T., que o atingiu com múltiplos tiros.
Ritsia relatou o momento em que soube da morte de seu irmão em 23 de outubro. Inicialmente informada por um jornalista de que Pengo estava entre as vítimas do tiroteio, ela lutou para acreditar até que sua mãe lhe disse que a polícia estava chegando. Ela percebeu imediatamente que ele havia morrido, notando que, se estivesse vivo, teriam ido ao hospital em vez disso. Ainda em choque, ela descreveu sentir-se vazia e incapaz de aceitar a realidade da situação.
Refletindo sobre os últimos momentos de seu irmão, Ritsia imaginou o medo e a sensação de injustiça que ele deve ter sentido, enfatizando o quão sozinho ele estava durante o ataque. Ela lembrou que estavam agendados para se encontrar naquela noite e haviam falado por telefone mais cedo naquela manhã. Ela retratou Pengo como um indivíduo protetor, engraçado e altamente empático, que se importava profundamente com o sofrimento dos outros. Os irmãos compartilhavam um vínculo próximo, discutindo seus sonhos e ambições, incluindo seu desejo de formar uma família e comparecer aos casamentos uns dos outros.
A tragédia desencadeou um intenso debate político, com Ali Rabeh, prefeito de Trappes, pedindo lucidez coletiva sobre como certos discursos podem ideologicamente armar aqueles capazes de violência. Ritsia concordou que tais atos não surgem do nada. Ela expressou sua intenção de realizar homenagens fúnebres públicas para refletir a muitos amigos e apoiadores que Pengo tinha. Ela também compartilhou como foi comovida por uma marcha branca organizada em Aubervilliers em 25 de outubro, que lhe deu uma sensação de unidade e amor.
Olhando para o futuro, Ritsia espera por uma homenagem nacional oficial que traga paz e ajude a sociedade a perceber o imenso valor da vida humana. Ela enfatizou que uma única morte pode destruir uma família e quebrar sonhos, notando que Pengo tinha toda a sua vida pela frente. Enquanto isso, o pai de Pengo, Bolema Bossio Wangi, declarou durante uma conferência de imprensa em Paris em 2 de novembro que a homenagem nacional deve servir como um momento de conscientização e compromisso contra o racismo.
Bolema lembrou-se de crescer na França durante as décadas de 1980 e 1990, uma época em que ataques racistas eram infelizmente comuns. Ele expressou seu medo como pai de crianças negras em um país que enfrenta fortes tensões identitárias, mas afirmou que ele e a mãe de Pengo escolhem confiar no sistema judiciário. Ele declarou seu amor pela França e seus valores, particularmente a fraternidade, instando a nação a permanecer fiel a esses princípios, independentemente das origens ou da cor da pele de seus habitantes.
Fontes: Le Figaro.