A Agência Nacional de Energia Elétrica do Brasil (Aneel) está buscando uma decisão do Ministério de Minas e Energia sobre o futuro da Enel Rio, cuja concessão termina em 9 de dezembro. A distribuidora atende cerca de 3,1 milhões de unidades consumidoras em 66 municípios, e o ministério ainda não aprovou nem rejeitou formalmente a prorrogação recomendada pela Aneel em agosto de 2025.

Em um ofício oficial, o órgão regulador observou que nenhuma decisão havia sido tomada e perguntou se precisava adotar alguma outra medida. A diretoria da Aneel aprovou a recomendação de renovar a concessão por mais 30 anos, mas a decisão final cabe ao governo e deve ser formalizada pelo ministério.

Se o contrato expirar sem renovação, espera-se que o fornecimento de energia elétrica continue. Um decreto de 2024 permite que o governo designe uma empresa para prestar o serviço temporariamente, enquanto concessões que não forem renovadas ou tiverem terminado devem ser submetidas a licitação. No entanto, ainda não foram definidas as condições para operar a área de concessão da Enel Rio a partir de 10 de dezembro.

O processo também envolve a análise dos indicadores de qualidade do serviço. O Tribunal de Contas da União (TCU) não avaliou se a Enel Rio cumpriu o requisito de continuidade do fornecimento e instruiu a Aneel a concluir e publicar, em até 120 dias, uma auditoria sobre a duração e a frequência das interrupções. O tribunal afirmou que a empresa cumpriu os requisitos financeiros, processuais e documentais que examinou, cabendo ao ministério decidir com base nas informações disponíveis.

A Enel afirma que a Aneel concluiu e encerrou uma fiscalização que abrangeu o período de janeiro de 2022 a março de 2023 sem encontrar inconsistências no cálculo dos indicadores. A empresa fez essa declaração em um relatório de resultados divulgado em 28 de outubro.

A Enel Rio informou ter investido 1,4 bilhão de reais nos primeiros nove meses de 2026, um aumento de 34,3% em relação ao mesmo período de 2025. Os investimentos no terceiro trimestre totalizaram 551,2 milhões de reais, alta de 34,5%. Segundo fontes citadas no relatório, ainda não está claro o efeito específico da concessão pendente de decisão sobre o acesso da empresa ao crédito e seus custos de financiamento.

O decreto também prevê compensação por investimentos em ativos que possam ser transferidos a uma operadora sucessora, caso ainda não tenham sido totalmente depreciados ou amortizados. Cabe à Aneel definir os valores e as condições e, em caso de uma nova licitação, a vencedora pagaria à antiga concessionária.

A Enel afirmou que aguarda a aprovação do ministério para a renovação de suas concessões no Rio de Janeiro e no Ceará, acrescentando que ambas as distribuidoras cumprem os requisitos e indicadores estabelecidos no decreto. A empresa também disse que sua distribuidora em São Paulo atende aos indicadores da Aneel e aguarda o posicionamento do órgão regulador sobre seu contrato.

Carlos Faria, presidente da Associação Nacional dos Consumidores de Energia, afirmou que uma decisão é urgente, pois é preciso realizar investimentos de longo prazo e a incerteza pode afetar o serviço. Ele também alertou que a troca de distribuidoras pode causar transtornos aos clientes.

Fontes: CNN Brasil.