Políticos democratas condenaram veementemente a congressista Haley Stevens após seu endosso ao republicano Mike Rogers na ferozmente disputada corrida para o Senado no Michigan. Stevens, que perdeu a primária democrata para Abdul El-Sayed, tomou essa medida extraordinária poucos dias antes da votação de meio de mandato, uma decisão que agitou uma das corridas mais significativas do ciclo eleitoral. O endosso marca o clímax de uma disputa crescente entre os ex-rivais da primária, centrada principalmente em suas posições divergentes sobre o apoio a Israel.
Líderes democratas de alto escalão expressaram indignação imediata com o que descrevem como uma traição. O governador da Califórnia, Gavin Newsom, comentou no programa político 2WAY, observando que Stevens parecia ter dado uma volta de 180 graus durante a noite. Ele sugeriu que suas ações estavam distraindo dos objetivos do partido e poderiam ser consideradas uma "surpresa de outubro". O líder da maioria no Senado, Chuck Schumer, também reagiu negativamente, com sua conta de campanha rotulando o endosso como uma "traição desprezível". Em um comunicado, Schumer enfatizou a unidade democrata atrás de El-Sayed, contrastando-o com Rogers, a quem descreveu como uma ferramenta de Donald Trump e doadores bilionários. Schumer criticou ainda mais o Partido Republicano por recorrer a ataques racistas e islamofóbicos contra El-Sayed.
O presidente do Partido Democrata do Michigan, Curtis Hertel, afirmou que a decisão de Stevens de fazer campanha com Rogers demonstra que ela abandonou os valores que alegava defender. Hertel destacou o histórico de Rogers, incluindo seu apoio a uma proibição nacional do aborto e sua promessa de votar lealmente na agenda de Trump. Ele reafirmou a rejeição do partido a tentativas de dividir os democratas ou minar seu impulso nas horas finais antes da eleição. O senador Bernie Sanders juntou-se às críticas nas redes sociais, afirmando que a equipe de Stevens estava certa em renunciar com repulsa à sua decisão. Sanders argumentou que a eleição no Michigan é mais importante que o ego de Stevens e pediu unidade para derrotar Rogers.
O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, também criticou Stevens, afirmando que ela traiu as pessoas da classe trabalhadora ao endossar o próprio candidato republicano contra o qual anteriormente disse querer concorrer. Enquanto isso, Donald Trump elogiou Stevens por sua deserção durante um evento de campanha em Iowa, sugerindo que ela deveria se juntar ao Partido Republicano. Trump referiu-se repetidamente a El-Sayed como um "jihadista" e usou termos racistas descarados, alegando que o Congresso precisaria de um detector de metais especial caso El-Sayed fosse eleito.
A controvérsia também impactou a própria equipe de Stevens. Relatos indicam que vários membros da equipe renunciaram após seu endosso a Rogers, incluindo seu antigo chefe de gabinete, Justin German, e sua diretora de comunicações, Logan Basch. German posteriormente emitiu um comunicado em nome da equipe de campanha expressando choque com a decisão de Stevens e reafirmando seu apoio a El-Sayed.
Em outros desenvolvimentos políticos, um juiz arquivou uma ação judicial apoiada por Donald Trump que buscava bloquear a certificação da corrida para o Senado no Alasca caso o titular Dan Sullivan perdesse. Além disso, o senador democrata Chris Murphy foi hospitalizado após sofrer um acidente vascular cerebral enquanto assistia ao jogo de hóquei de seu filho. Separadamente, relatos indicam que a Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) está prendendo novamente imigrantes que anteriormente foram liberados da detenção após vencerem petições de habeas corpus nos tribunais.
Fontes: The Guardian World.