Centenas de israelenses protestaram em Tel Aviv no sábado, pedindo que a oposição se unisse a partidos árabes para tirar o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu do poder. O protesto ocorreu após as eleições de terça-feira, nas quais nenhum bloco conquistou a maioria das 120 cadeiras do Knesset. Enquanto isso, Netanyahu intensificou seus ataques aos líderes da minoria árabe de Israel.
Os partidos contrários a Netanyahu que obtêm a maior parte de seu apoio entre os eleitores judeus conquistaram 48 cadeiras. Os partidos de maioria árabe Ra’am e Lista Conjunta conquistaram juntos 19 cadeiras. Uma aliança entre os dois grupos teria 67 cadeiras, uma maioria clara, mas alguns partidos da oposição se opõem a trabalhar com partidos árabes.
Gadi Eisenkot, líder da oposição, ainda não decidiu se aceitará uma aliança desse tipo. Ele disse que formaria apenas um “governo sionista”, cujos integrantes reconheçam Israel como um Estado judeu, democrático e liberal e considerem o Hamas uma organização terrorista — condições que líderes árabes rejeitaram no passado. Eisenkot disse que não queria depender de partidos árabes, mas não descartou explicitamente o apoio deles.
Os partidos árabes já fizeram parte de um governo uma vez: Mansur Abbas, líder do Ra’am, integrou uma coalizão de curta duração entre 2021 e 2022 e disse que está disposto a fazê-lo novamente. Yusef Jabareen, líder da Lista Conjunta, disse à AFP que estaria disposto a apoiar Eisenkot no parlamento sem integrar o governo.
Cerca de 500 pessoas participaram do protesto em Tel Aviv, com cartazes que diziam “Árabes e judeus vencem juntos” e “Há uma maioria pela mudança”. Ayelet Raz, psicóloga de 60 anos presente no ato, disse que a comunidade árabe de Israel, que representa cerca de 20% da população, tinha o direito de participar do governo. Ela descreveu a eleição como uma última oportunidade para uma mudança real e afirmou que o país precisava dar uma chance à paz. Mais de 100 apoiadores de Netanyahu realizaram uma manifestação separada.
Espera-se que o presidente Isaac Herzog peça na quinta-feira a Netanyahu ou a Eisenkot que tente formar um novo governo.
Enquanto as negociações políticas prosseguiam, ataques israelenses em Gaza mataram oito pessoas, incluindo uma criança, no domingo, segundo serviços locais de emergência e hospitais. A Defesa Civil de Gaza afirmou que cinco pessoas morreram em Khan Yunis e três na Cidade de Gaza. O Ministério do Interior do território disse que aeronaves israelenses atingiram policiais em serviço em Khan Yunis.
As Forças Armadas israelenses disseram à AFP que haviam atacado “um terrorista” no sul de Gaza e “vários outros” no norte, acrescentando que estavam avaliando os resultados dos ataques. Israel lançou sua ofensiva militar após o ataque do Hamas em Israel, em 7 de outubro de 2023, que matou 1.200 pessoas. A ofensiva deslocou quase toda a população de Gaza. O Ministério da Saúde de Gaza informa mais de 74.500 mortes; as Nações Unidas consideram os números confiáveis.
Fontes: Folha Mundo.