O advogado e ex-ministro malinês Mountaga Tall está detido há seis meses, depois de ter sido levado de sua casa durante a noite de 2 para 3 de maio por agentes mascarados da Segurança do Estado, segundo seu ex-colega Mamadou Ismaïla Konaté. O filho de Tall, Cheick Mamadou Tall, também foi sequestrado dias depois e permanece em local desconhecido, diz o relato. Nenhum dos dois foi apresentado a um processo judicial, e as autoridades não divulgaram seu paradeiro.

Em entrevista à RFI, Konaté disse que a família busca provas verificáveis de que Tall está vivo, acesso para seus advogados e um exame médico independente. A família deve ser informada de onde Tall está, e qualquer atendimento médico necessário deve ser providenciado, afirmou. Konaté também disse que as circunstâncias levantam a questão de desaparecimento forçado caso agentes do Estado, ou pessoas agindo com o consentimento do Estado, neguem ou ocultem a detenção de alguém.

Konaté descreveu Tall como um advogado e figura política de destaque que ajudou a promover a democracia no Mali e se opôs ao que considerava a natureza incerta e perigosa da transição militar por prazo indeterminado do país. Disse não ter conhecimento de qualquer atividade política ou oposição pública por parte do filho de Tall e caracterizou sua detenção como relacionada ao vínculo familiar.

Os advogados da família recorreram ao Poder Judiciário do Mali e ao Comitê das Nações Unidas contra os Desaparecimentos Forçados, mas, segundo Konaté, as autoridades não forneceram informações. Ele criticou os promotores por não responderem e disse que o silêncio oficial dificulta a compreensão do caso pela família e a atuação da defesa. “O silêncio não elimina a competência do sistema judiciário nem as obrigações do Estado”, afirmou.

Konaté também falou sobre outros quatro ativistas pró-democracia que haviam desaparecido desde maio e foram transferidos, em 20 de outubro, para uma unidade judicial de combate ao cibercrime. Agora, eles enfrentam oficialmente acusações que incluem “minar a credibilidade do Estado”. Embora suas famílias possam ficar tranquilizadas por saberem onde eles estão, Konaté argumentou que a transferência para a custódia judicial não resolve as preocupações sobre como foram detidos inicialmente.

Ele pediu a libertação imediata de Mountaga Tall e de seu filho, dizendo que eles não foram acusados de nenhum delito e estão detidos ilegalmente.

Fontes: RFI.