Mulheres em Herat dizem que suas vidas foram transformadas pelo retorno do Talibã ao poder no Afeganistão, em agosto de 2021. Falando sob pseudônimos porque temem represálias, elas descrevem a perda de acesso à educação, as restrições a seus deslocamentos e o medo contínuo da repressão.

Sanam, uma mulher de 18 anos, recordou vários momentos decisivos. Em 23 de março de 2022, o Talibã anunciou no último momento que as meninas não teriam permissão para retornar às escolas secundárias, apesar dos planos para sua reabertura após meses de fechamento. Na primavera de 2026, a escola clandestina onde Sanam ensinava inglês também foi obrigada a fechar.

Herat também foi palco de um protesto em 9 de junho. A manifestação ocorreu em Jebrail, um bairro habitado em grande parte pelos hazaras, uma minoria étnica predominantemente xiita. Os manifestantes queriam denunciar a detenção de dezenas de mulheres que haviam sido presas dias antes por agentes do Ministério para a Promoção da Virtude e Prevenção do Vício. As mulheres foram acusadas de violar o código de vestimenta imposto pelas autoridades talibãs.

Sanam foi ao protesto com os pais. Ela disse que os tiros começaram pouco depois de o carro parar perto da manifestação. As pessoas correram em todas as direções, e a família voltou rapidamente para casa. O incidente aprofundou o medo que cerca a dissidência pública na cidade.

Em outubro, Sanam falou em um espaço reservado para mulheres em um restaurante de Herat, ao lado de sua mãe, Khadija, de sua tia materna, Mojda, e de sua prima Najiba. Esses espaços estão entre os poucos lugares onde as mulheres ainda podem se encontrar. O pai de Sanam, comerciante, levou-as de carro ao restaurante, e Khadija disse que ele apoiava o sofrimento delas.

Apesar das restrições e do fechamento das oportunidades educacionais formais e clandestinas, as mulheres continuam buscando maneiras de aprender e manter contato umas com as outras. Seus relatos refletem tanto o desespero sob o regime talibã quanto a esperança persistente de um dia deixar o Afeganistão.

Fontes: Le Monde International.