A facção do Partido de Esquerda em Berlim está se preparando para discutir a possível exclusão da recém-eleita membro Vanessa Emde de seu grupo parlamentar. O conselho está agendado para deliberar sobre o assunto na terça-feira, após semanas de tensão sobre a posição de Emde no conflito no Oriente Médio. Emde repetidamente afirmou que os estados não têm direito à existência, referindo-se especificamente a Israel, e recentemente participou de uma manifestação contra a liderança de seu partido nas margens do congresso do Partido de Esquerda.

Emde foi eleita para a Câmara dos Representantes em 20 de setembro. No entanto, a liderança da facção, liderada por Elif Eralp, agora não vê base para trabalho conjunto com ela. Seu comportamento foi tema de discussão em reuniões tanto da facção quanto do conselho na semana passada. Durante o protesto, Emde argumentou que a criminalização da solidariedade à Palestina deve ser uma linha vermelha para o Partido de Esquerda e pediu para se opor ao racismo e ao sexismo, concluindo seu discurso com um chamado à luta de classes e à liberdade para a Palestina.

Paralelamente a este conflito interno, as conversações de coalizão estão avançando entre o Partido de Esquerda, os Verdes e o Partido Social-Democrata (SPD). O Partido de Esquerda emergiu como a força mais forte na eleição de 20 de setembro com 25,7% dos votos, seguido pela CDU com 18,8%, a AfD com 16,3%, os Verdes com 14,3% e o SPD com 12,1%. A anterior coalizão governante da CDU e do SPD perdeu sua maioria. Um acordo de coalizão poderia ser finalizado até dezembro, embora isso não esteja garantido. Tanto o Partido de Esquerda quanto o SPD planejam que seus membros votem no programa de governo, enquanto os Verdes pretendem realizar uma pesquisa de opinião digital antes de uma decisão final por um congresso do partido.

Um ponto central de contenda na proposta de coalizão vermelho-verde-vermelho é um plano para socializar aproximadamente 160.000 apartamentos pertencentes a cinco grandes corporações. Esta medida, envolvendo transferência para propriedade pública com compensação conforme previsto na Lei Fundamental, seria sem precedentes na Alemanha. A base para essas negociações é um documento preliminar apresentado há duas semanas pelos três partidos.

O cenário político é ainda mais complicado por preocupações de segurança em torno de Elif Eralp, a candidata principal do Partido de Esquerda para Governadora-Maior. Após um relatório da revista Spiegel, revelou-se que Eralp teme pela segurança de sua família se comentar explicitamente sobre um ativista conhecido da Palestina e simpatizante do terrorismo com o qual membros do partido tiveram contato. A informação veio de notas internas anexadas a um rascunho de entrevista que foram acidentalmente enviadas à publicação. Consequentemente, as autoridades concederam a Eralp proteção policial, uma medida anteriormente reservada apenas para outros dois altos funcionários em Berlim.

Eralp defendeu-se contra as críticas, afirmando que não está intimidada e se oporá a todas as formas de antissemitismo e racismo. Ela reconheceu suas preocupações com a segurança de sua família, mas enfatizou que o crime organizado, a violência e a glorificação do terrorismo não têm lugar em Berlim. A equipe editorial do Spiegel defendeu a publicação do relatório, argumentando que o interesse público superava as preocupações de segurança e questionando se Eralp poderia liderar efetivamente a cidade se guiada pelo medo.

Em outros desenvolvimentos parlamentares, o político Linke Klein foi eleito como novo Presidente da Câmara dos Representantes de Berlim. Além disso, um candidato da AfD para uma posição de vice-presidente não conseguiu garantir a maioria, deixando uma das duas vagas de vice-presidente vaga. A candidata da CDU Cornelia Seibeld foi eleita com sucesso com 109 votos. Enquanto isso, a CDU indicou que está aberta a discussões com os Verdes e o SPD sobre uma coalizão alternativa, embora os Verdes e o SPD mantenham seu foco na aliança vermelho-verde-vermelha.

Fontes: Süddeutsche Zeitung.