O Primeiro-Ministro belga Bart de Wever apresentou formalmente a sua renúncia ao Rei Filipe após o colapso das negociações orçamentais no seio do governo de coalizão. De Wever chegou ao Palácio Real às 9h30 da manhã de segunda-feira, 2 de novembro de 2026, para apresentar a sua renúncia após uma reunião noturna do grupo central do governo não ter conseguido chegar a um acordo. As discussões centraram-se no orçamento de 2027 e numa proposta de ajuste de 10 mil milhões de euros através de cortes na despesa ou aumentos fiscais até 2029.

O Rei Filipe, que interrompeu as suas férias em Inglaterra para receber o Primeiro-Ministro, ainda não aceitou a renúncia. Em vez disso, o monarca abriu uma ronda de consultas com os líderes dos cinco partidos que compõem a coalizão. O Rei sublinhou que se opõe a uma crise política prolongada num período de significativa incerteza geopolítica e desafios económicos. Apelou a todas as partes envolvidas para priorizarem o interesse geral e exercerem responsabilidade, notando a história da Bélgica de processos de formação de governo prolongados.

As negociações falharam apesar do estado precário das finanças públicas da Bélgica, que atualmente enfrentam um défice superior a 5% do PIB e uma dívida pública que ultrapassa os 110% do PIB. O Primeiro-Ministro De Wever havia anteriormente alertado que os mercados financeiros estavam a observar de perto a situação do país. O ajuste proposto de 10 mil milhões de euros destinava-se a complementar as medidas existentes destinadas a reduzir o défice para 3% até 2029, um objetivo que já desencadeou várias greves gerais e protestos de massa ao longo da atual legislatura.

A coalizão, conhecida como governo "Arizona" devido às cores dos seus cinco partidos constituintes, inclui o N-VA nacionalista flamengo de De Wever, os Democratas Cristãos (CD&V), os socialistas Vooruit, os centristas de língua francesa Les Engagés e o Movimento Reformista de centro-direita (MR). Este governo foi formado em janeiro de 2025 após um período de negociação de sete meses. Embora o CD&V tenha apelado a uma retoma imediata das conversações para evitar criar novos problemas, os partidos da oposição foram altamente críticos. Os Socialistas Valões acusaram De Wever de proteger grandes fortunas à custa da justiça fiscal, enquanto outros grupos de oposição também condenaram a situação.

Esta renúncia marca a crise mais grave para o governo desde a sua criação no início de 2025. Tensões anteriores surgiram em agosto de 2025 quando o Vice-Primeiro-Ministro Maxime Prévot ameaçou com o colapso do governo devido à posição da administração sobre Israel. O Rei está agendado para iniciar consultas formais com os outros partidos da coalizão na terça-feira, estando prevista uma nova audiência para De Wever na sexta-feira.

Fontes: El País Internacional.