A Polícia Civil investiga como feminicídio a morte de Priscila Lacerda Custodio, empresária de marketing digital de 24 anos que foi baleada no quilômetro 463 da Rodovia Cândido Portinari (SP-334), em Rifaina, São Paulo. O suspeito é João Roberto Bolelli, 62 anos, pecuarista. A defesa dele disse que estava analisando o caso e que ainda não havia tido contato com ele.

De acordo com as informações disponíveis, Priscila viajou cerca de 100 quilômetros desde Perdizes, Minas Gerais, onde morava, acompanhada do irmão e de uma amiga, para devolver uma caminhonete que pertencia a Bolelli. Ela queria encerrar o relacionamento com ele. Na entrada de uma propriedade rural, durante uma discussão, Bolelli sacou uma arma e atirou nela, segundo testemunhas. O irmão dela, Geovane Santana, que estava no local, disse à EPTV: 'Foi muito rápido, em uma fração de segundos.' Atingida no abdômen, Priscila foi socorrida e levada a uma unidade de saúde em Rifaina, mas não resistiu.

O suspeito fugiu na caminhonete que acabara de ser devolvida, segundo o relato. A Justiça de Pedregulho, São Paulo, decretou sua prisão preventiva na quarta-feira, 28. Ele era considerado foragido na última atualização. Na decisão, o juiz Luiz Gustavo Giuntini de Rezende destacou o perfil violento do suspeito e descreveu a fuga como um 'ato de covardia' que justificava a detenção para garantir o andamento do processo sem coação de testemunhas.

Priscila era de Perdizes e trabalhava como empresária de marketing digital. Começou a trabalhar aos 16 anos como bartender, abriu a própria empresa e cobria eventos em sua cidade natal e na região, ajudando a sustentar a família, segundo o irmão. 'Ela nunca precisou de nada de ninguém', disse Geovane Santana. Ela namorava o estudante Samuel Ramos, 26 anos, desde junho; eles moraram juntos por cerca de um mês em Perdizes e planejavam se mudar para Uberlândia, Minas Gerais. Ela também mantinha um relacionamento casual com Bolelli desde julho e havia tentado terminar, mas ele não aceitava, segundo o relato.

Samuel Ramos afirmou em depoimento que Bolelli fazia ameaças constantes a Priscila, dizendo que, se ela não fosse dele, não seria de mais ninguém, e que contratou um detetive particular para monitorá-la. Uma amiga contou à Polícia Civil que Priscila foi agredida fisicamente pelo pecuarista na sexta-feira, 23, quatro dias antes do assassinato, e tinha ferimentos visíveis. A testemunha também disse que o suspeito havia ameaçado atirar na cabeça dela e contratar pessoas para vigiá-la em Minas Gerais.

Temendo as ameaças recentes, Priscila pediu ao irmão que dirigisse a caminhonete até Rifaina na terça-feira, 27, enquanto uma amiga seguia em outro veículo para garantir a volta. Na entrada da propriedade rural às margens da SP-334, Bolelli chegou em um carro branco acompanhado de outras pessoas. Houve uma discussão quando ele exigiu a devolução de um celular que havia sido dado a Priscila. Ela respondeu que só entregaria o aparelho se recebesse o próprio celular de volta, o que o suspeito recusou. Durante a discussão, Bolelli sacou uma arma e atirou nela, depois apontou o revólver para o irmão dela antes de fugir na caminhonete.

A Polícia Civil instaurou inquérito sob o delegado Fábio Branquinho. Testemunhas foram ouvidas, o local do crime foi periciado e o celular de Priscila foi apreendido para análise pericial. A motivação investigada está relacionada a ciúmes e à recusa do suspeito em aceitar o fim do relacionamento. O relato também diz que Bolelli tem histórico judicial de violência contra mulheres: em junho de 2018, foi preso preventivamente por descumprir medida protetiva em favor de uma ex-companheira e ficou seis dias detido antes de ser solto mediante fiança. Em dezembro de 2021, foi condenado pela Justiça de Franca, São Paulo, a três meses e 15 dias de detenção em regime aberto pelo mesmo crime, decisão confirmada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo em 2022. Ele também tinha uma condenação anterior por uma contravenção relacionada a agressões em 2017. A EPTV apurou que ele está envolvido em uma disputa judicial por uma herança do pai há pelo menos 15 anos, envolvendo a propriedade em Rifaina onde ocorreu o disparo.

Fontes: G1.