Portugal está prestes a implantar uma nova plataforma pública chamada LicenCIÁ, projetada para alavancar a inteligência artificial na simplificação dos processos de licenciamento urbano, industrial e ambiental. Gonçalo Matias, Vice-Ministro e Ministro da Reforma do Estado, apresentou a iniciativa durante as deliberações da comissão orçamental, afirmando que o governo pretende reduzir os tempos de licenciamento em até 70%. O projeto está agendado para lançamento numa fase piloto no final deste ano, com o objetivo de economizar tempo tanto para cidadãos como para empresas.
No setor privado, a empresa portuguesa de tecnologia Critical Software anunciou que reduzirá sua força de trabalho em 200 colaboradores até o final de 2026. Este corte representa uma redução de 13% desde o início do ano, deixando a empresa com aproximadamente 1.300 trabalhadores. O CEO João Carreira explicou ao Expresso que a IA está substituindo tarefas anteriormente realizadas por engenheiros, particularmente em programação e testes. Ele descreveu isso como a transformação mais profunda desde a fundação da empresa em 1998. Embora não estejam atualmente planeadas novas demissões coletivas para o próximo ano, Carreira notou que tais possibilidades não podem ser totalmente descartadas. A empresa, que desenvolve software para os setores aeroespacial e de transporte ferroviário, investiu oito milhões de euros em políticas de IA e espera que a receita permaneça próxima de 120 milhões de euros.
Internacionalmente, a Coreia do Sul anunciou um investimento recorde de quase 14,3 mil milhões de euros em tecnologias de inteligência artificial para o próximo ano. O Presidente Lee Jae-myung revelou este valor, que representa quase 13% do orçamento nacional, com o objetivo de colocar o país ao lado dos Estados Unidos e da China como líder global no setor. O anúncio destaca o papel das gigantes coreanas Samsung Electronics e SK Hynix, que já são líderes mundiais na produção de chips de memória avançados essenciais para sistemas de IA.
Na Argentina, o Presidente Javier Milei está a prosseguir uma estratégia para transformar a nação num paraíso fiscal para a inteligência artificial, propondo um ambiente não regulamentado e oferecendo incentivos fiscais. Milei pretende construir múltiplos centros de dados na Patagónia, citando a sua geografia aberta e distância das áreas povoadas como vantagens. Para atrair empresas de tecnologia preocupadas com a instabilidade económica, o seu governo propõe reduzir a taxa de imposto sobre o rendimento das sociedades de 25% para 15%. Durante uma visita a Washington, Milei comprometeu-se a deixar a IA sem regulação e terá reunido representantes de grandes empresas, incluindo OpenAI, Amazon e Google.
No lado do consumidor, o empreendedor português Juvenal Rodrigues, de Viana do Castelo, lançou o "Universo Zé Traquina", uma aplicação educativa gratuita para crianças dos primeiros ao quarto ano. A aplicação combina jogos, atividades, vídeos e histórias sem publicidade. Uma característica chave é um assistente baseado em IA chamado Zé Traquina, projetado para interagir com as crianças e responder às suas perguntas. A aplicação também inclui mini-jogos destinados a estimular o raciocínio, a memória e a criatividade, e está atualmente disponível na Google Play Store.
Fontes: Observador.