O Presidente António José Seguro convocou o Conselho de Estado para as 15h00 no Palácio de Belém para debater a coesão social, a segunda reunião do órgão desde que assumiu funções. A reunião surge numa altura em que o chefe de Estado tem demonstrado particular preocupação com a habitação e afirmou estar disponível para reunir-se com os manifestantes nos acampamentos do Porto e de Lisboa.
Henrique Blanc, porta-voz do acampamento do Porto, confirmou que a Casa Civil da Presidência contactou o movimento. Disse que o convite foi recebido positivamente, mas ainda tem de ser discutido em assembleia popular. Seguro contactou também o presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, e o presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, depois de ter falado anteriormente com o primeiro-ministro Luís Montenegro e de ter pedido esclarecimentos ao Governo e ao Provedor de Justiça sobre a intervenção policial.
Treze manifestantes detidos durante a operação policial deverão ser presentes a primeiro interrogatório judicial. No Porto, as audiências começam às 10h00 no Tribunal de Pequena Instância Criminal; em Lisboa, estão agendadas para as 14h00 no Campus de Justiça.
A noite de domingo para segunda-feira passou sem confrontos. Na Praça Dom João I, no Porto, foram montadas 15 tendas sob vigilância da PSP, depois de uma assembleia popular ter decidido pernoitar e ter rejeitado um convite do presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, para uma reunião. Em Lisboa, os manifestantes abandonaram o Rossio antes da 1h00, mas houve momentos de tensão. Depois de explodir um petardo, os manifestantes perseguiram o alegado responsável, que se refugiou num restaurante encerrado por precaução. Um organizador disse que o homem era um agente à civil da PSP, mas a PSP negou; uma fonte da PSP disse ao Observador que o homem de 41 anos é gestor. Anteriormente, a polícia multou condutores que buzinaram em solidariedade com a manifestação, e a PSP encontrou três cocktails Molotov no Rossio durante a tarde.
O Sindicato dos Jornalistas vai apresentar uma queixa ao Provedor de Justiça contra a PSP, exigindo responsabilidades pela agressão e intimidação de jornalistas que cobriram os protestos no Porto e em Lisboa. Num comunicado, o sindicato condenou em particular uma agressão a um fotojornalista por um agente da PSP nas primeiras horas de domingo.
No plano político, André Ventura voltou a responsabilizar o primeiro-ministro Luís Montenegro pela tensão nas ruas. O líder do Chega disse que as manifestações não devem ser uma questão de ordem pública e que os problemas surgem porque o Governo não sabe reagir; rejeitou também culpar os agentes da PSP. Ventura, que foi reeleito presidente do partido no fim de semana com mais de 98% dos votos, anunciou um pacote de emergência para a habitação.
O Livre exigiu a demissão do ministro da Administração Interna e apoiou o pedido do PCP de um debate parlamentar urgente. A co-porta-voz Isabel Mendes Lopes disse que o Governo tem de ser responsabilizado pelas cargas policiais do fim de semana e que o Ministério da Administração Interna não tem condições para continuar. O Livre anunciou que levará o caso a organizações internacionais, incluindo o Comissário para os Direitos Humanos do Conselho da Europa e o Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, argumentando que houve violações graves de direitos protegidos pela Convenção Europeia dos Direitos Humanos e um impacto internacional nos direitos civis e políticos. O partido condenou a ação policial contra as manifestações pela habitação e descreveu as novas intervenções policiais como profundamente preocupantes.
Está em curso uma greve de 24 horas dos trabalhadores da administração pública, convocada pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Serviços e Entidades com Fins Públicos. A greve pode afetar setores como a educação e a saúde. Entre as reivindicações do sindicato estão a criação de um cartão de refeição na administração pública, um subsídio de risco para a carreira de técnico auxiliar de saúde, uma revisão do sistema integrado de gestão e avaliação do desempenho, uma revisão do contrato coletivo aplicável às entidades públicas empresariais e a contratação de mais pessoal.
No desporto, o Sporting anunciou que iniciou conversações com o treinador Rui Borges para rescindir o contrato. Tiago Fernandes, atualmente treinador da equipa B, assumirá interinamente o comando da equipa principal e deverá orientá-la no jogo de quarta-feira da Liga dos Campeões contra o Shakhtar Donetsk. O Observador apurou que Paulo Fonseca, 53 anos, vai deixar o Lyon e deverá ser apresentado pelo Sporting esta semana. Borges sai após quase dois anos, durante os quais conquistou o título da liga portuguesa e a Taça de Portugal. O Sporting está a nove pontos do líder do campeonato, o Porto; o Benfica pode aproximar-se do topo quando defrontar o Alverca às 20h15 no Estádio da Luz.
Fontes: Observador.