O Ministério Público Federal (MPF) no Brasil está atualmente investigando se as operações de dragagem no Porto de Recife são a principal causa do aumento da poluição marinha que afeta os pescadores locais. Moradores e trabalhadores da área relatam que suas redes estão retornando com significativamente menos frutos do mar e um volume maior de lixo, ameaçando seus meios de subsistência.
Solange Maria da Silva, uma coletora de moluscos que trabalha na Bacia de Pina, onde os rios encontram o mar na zona sul de Recife, descreve uma queda severa na produtividade. Ela observa que, enquanto anteriormente colhia 20 kg de moluscos diariamente, sua captura atual raramente ultrapassa 1 kg. Segundo Solange, o lixo substituiu as amêijoas sururu em suas armadilhas, afirmando que, em vez de capturar frutos do mar, agora estão recolhendo lixo.
Embora a pesca de sururu, moluscos e ostras seja naturalmente sazonal e tipicamente diminua durante a estação chuvosa, os pescadores relatam que as redes têm retornado mais vazias desde meados de 2026. Essa tendência afeta tanto aqueles que trabalham nos bancos de areia quanto aqueles que se aventuram em águas profundas. Evidências em vídeo fornecidas pelos pescadores mostram armadilhas de lagosta preenchidas com detritos plásticos, incluindo garrafas PET, sacolas e copos descartáveis. A comunidade pesqueira atribui esse agravamento da poluição às atividades de dragagem no Porto de Recife.
Sandra Lima, presidente da colônia local de pescadores, afirma que a dragagem está impactando 100% dos pescadores da área. Desde o final de junho de 2026, duas dragas têm aprofundado os canais do porto para acomodar embarcações maiores. Essas máquinas sugam lama, argila e areia do leito do canal através de tubos para depositá-los no mar. Os pescadores afirmam que o lixo acumulado no fundo do mar está sendo revirado e espalhado por esse processo.
No entanto, a administração do Porto de Recife nega que a dragagem esteja prejudicando as atividades pesqueiras. Eles afirmam que uma grade filtra todos os resíduos coletados, que são então enviados para aterros sanitários. Alexandre Costa, coordenador de projetos de engenharia do porto, argumenta que é improvável que a dragagem seja a causa, sugerindo que a turbidez sazonal reduz naturalmente as capturas e observando que todas as embarcações de dragagem são monitoradas.
O MPF está investigando a situação e tentando mediar um acordo entre as partes. O promotor Antônio Nilo Rayol enfatizou a necessidade de encontrar um modelo que permita o desenvolvimento econômico enquanto adere à legislação ambiental e considera componentes sociais. Enquanto isso, Múcio Banja, professor da Universidade de Pernambuco, sugere que a poluição também é resultado de décadas de descaso ambiental. Ele destaca a necessidade de educação e políticas públicas intensificadas para abordar comunidades que descartam resíduos nos rios.
Para aqueles dependentes da pesca nessas águas, a situação permanece crítica enquanto aguardam uma solução. Uma coletora de moluscos expressou a urgência do assunto, notando como muitos pescadores ficam sem sustento para seus filhos e enfatizando que preservar o rio é essencial para sua sobrevivência.
Fontes: G1.