Um túmulo que guarda uma das histórias mais enigmáticas de Poços de Caldas, Minas Gerais, foi restaurado após uma iniciativa de um grupo de amigos conhecido como "velhinhos da Praça Pedro Sanches". A cerimônia de reinauguração ocorreu na manhã de quarta-feira, 28 de novembro, no Cemitério Municipal. O local contém os restos mortais da Condessa Alexandra Tatichev, que serviu como governanta de Tamara Gagarin. Gagarin era o nome usado no Brasil por uma mulher identificada por muitos como a Princesa russa Anastasia Romanov.
De acordo com uma história que atravessou gerações, a mulher supostamente escapou do massacre de 1918 da família imperial russa e buscou refúgio no Brasil. Ela viveu em Poços de Caldas por mais de 20 anos, trabalhando como professora de inglês e francês. Gagarin morreu em 1965 e, desde então, a narrativa sobre sua possível identidade como membro da família imperial russa despertou a curiosidade de residentes e visitantes.
Roberto Teresiano, jornalista e pesquisador que faz parte do grupo responsável pela restauração, afirmou que a iniciativa visa honrar a trajetória de indivíduos que contribuíram para a história do município. "Os velhinhos discutiram que não se trata de prestar homenagem à pessoa morta, mas à vida daquela pessoa", explicou Teresiano. Ele observou que Gagarin contribuiu para a formação de muitos moradores da cidade por meio de suas aulas, acrescentando que muitas pessoas construíram seu patrimônio com base no que aprenderam com ela.
Apesar das histórias e relatos atribuídos à suposta princesa, não há confirmação definitiva de que Tamara Gagarin fosse Anastasia Romanov. Teresiano destacou que ela nunca assumiu publicamente essa identidade, embora aqueles que viveram com ela relatassem que ela mostrava fotografias da família imperial e contava histórias sobre uma possível fuga da Rússia. "Nos bastidores, ela mostrava fotos com a família imperial, com Nicolau II, mostrando imagens e contando uma história fantástica de uma fuga com joias, subornando a segurança para cruzar a fronteira", relatou o pesquisador. Para Teresiano, a história permanece um mistério, descrevendo-a como um verdadeiro enigma em Poços de Caldas.
O grupo pretende expandir a iniciativa para restaurar outros túmulos de pessoas importantes para a história da cidade. A próxima ação, agendada para novembro, focará no túmulo de uma mulher escravizada. "Não é porque ela era uma grandeza, uma condessa ou uma princesa. Faremos a mesma coisa com os túmulos de pessoas simples que foram importantes para Poços de Caldas", explicou Teresiano. Os participantes buscam transformar o cemitério em um espaço de memória, cultura e conhecimento sobre a história da cidade, valorizando as trajetórias daqueles que ajudaram a construir a identidade do município.
Fontes: G1.