A instalação do mercado de Natal na praça Rossio de Lisboa está prevista para hoje, mas sua execução enfrenta a oposição dos manifestantes do movimento Acampada, que alertaram que não abandonarão o espaço. Embora a noite anterior tenha sido relativamente tranquila, os ativistas prometeram retornar esta manhã para pernoitar novamente. A Câmara Municipal ainda não tomou uma decisão definitiva sobre como proceder, reconhecendo o autarca Carlos Moedas que é impossível realizar simultaneamente a feira e as manifestações no mesmo local. O movimento havia sugerido previamente mudar a localização do mercado de Natal.

No terreno, a praça Rossio mantém-se vazia e tranquila na primeira hora da manhã, sem sinais visíveis das equipas de montagem nem de camiões com materiais. No entanto, pessoal de limpeza municipal tem estado a retirar alguns cartazes do chão, embora outros que estavam apoiados na coluna de Dom Pedro IV permaneçam no seu lugar. Quanto à ativista Renata Câmara, o Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa autorizou a sua pernoita na praça, mas ela não o fez esta noite. Em vez disso, outro manifestante passou a madrugada na única tenda que ainda permanece montada entre a coluna e o teatro Dona Maria II, a qual exibe um pequeno adesivo indicando que pertence a Renata Câmara.

A sentença judicial considera justificada a limitação do direito de manifestação se colidir com a instalação e funcionamento do mercado, exigindo que seja oferecida uma alternativa para garantir a visibilidade pública da protesto. No norte do país, na praça Dom João I do Porto, a noite também foi tranquila com menos de dez tendas montadas e alguns manifestantes pernoitando. O movimento saudou a disposição do presidente da Câmara, Pedro Duarte, para uma reunião pública, embora considere que ainda não se reúnem as condições necessárias para o encontro.

No âmbito político nacional, o ex-presidente da República, Cavaco Silva, defendeu a gestão política do governo face às protestos pela habitação. Durante a reunião do Conselho de Estado, Cavaco Silva afirmou que a Polícia de Segurança Pública (PSP) tem legitimidade para intervir e acusou a extrema-esquerda de instrumentalizar as manifestações com fins políticos. O ex-presidente validou as intervenções policiais das últimas duas semanas em Rossio e Porto, alertando sobre casos de falta de respeito pelas autoridades que põem em questão a autoridade do Estado se não houver uma gestão eficaz do espaço público.

Do governo, existe a expectativa de que o tempo dará razão à atuação do Executivo e da PSP, esperando que a prolongação das concentrações desgaste a atenção pública ou que os organizadores percam o controlo. Uma fonte do Executivo vê na recente decisão judicial uma oportunidade para uma saída honrosa, rejeitando a ideia de uma vitória dos manifestantes e sublinhando que o espaço público não pode ser simplesmente ocupado. A reunião do Conselho de Estado transcorreu sem mal-entendidos entre o presidente Marcelo Rebelo de Sousa e o primeiro-ministro Luís Montenegro, que anteciparam o seu encontro com um almoço antes da partida do chefe de Estado para Madrid para a Cimeira Iberoamericana.

No cenário internacional, os Estados Unidos retomaram os bombardeios contra o Irã a poucas horas das suas eleições intercalares. As tropas americanas atacaram a ilha de Kharm no sul do país, sendo este o ataque direto mais recente após mais de dois meses de silêncio, embora fontes citadas pelo Wall Street Journal indiquem que ocorreram vários ataques secretos nas últimas semanas. Hoje, mais de 200 milhões de americanos votarão para eleger os 435 membros da Câmara dos Representantes e um terço do Senado. O especialista em direito internacional Francisco Pereira Coutinho alerta sobre uma possível reação de Donald Trump contra o seu próprio eleitorado em caso de uma derrota significativa dos republicanos, assinalando que o Congresso tem ferramentas limitadas para travar a política externa presidencial.

No conflito entre Rússia e Ucrânia, Moscovo lançou um novo ataque de grande magnitude nesta madrugada contra instalações energéticas e portuárias em vários pontos do país. O Kremlin também atacou uma unidade de saúde em Kharkiv, deixando 62 feridos e obrigando a transferir cerca de 200 pacientes para outros hospitais. Em Portugal, o antigo diretor executivo do SNS, Fernando Araújo, acusou o governo de adiar a resolução dos problemas sanitários e de não cumprir as suas promessas, criticando num artigo de opinião o desempenho do plano de emergência em saúde e alertando sobre o agravamento das listas de espera.

Finalmente, o governo assinou hoje com a Lufthansa o contrato para a venda parcial da TAP Air Portugal. A proposta do grupo alemão foi selecionada pelo Executivo para a compra de uma participação minoritária na companhia aérea. Na cerimónia estarão presentes o primeiro-ministro, os ministros das Finanças e das Infraestruturas, e o presidente executivo da Lufthansa.

Quellen: Observador.