A corrupção governamental surgiu como uma das últimas grandes preocupações dos eleitores antes das eleições de meio de mandato dos EUA, na terça-feira. Uma pesquisa da Fox News realizada em outubro constatou que 88% dos eleitores estavam “extremamente” ou “muito” preocupados com a corrupção no governo, enquanto uma pesquisa da Harris para o The Guardian informou que nove em cada dez americanos a consideravam um problema.
A questão se tornou um tema central da campanha democrata. Em um comício em Morrow, na Geórgia, com a presença de quase 10.000 pessoas, o ex-presidente Barack Obama acusou Donald Trump e sua família de lucrar com empresas ligadas a criptomoedas e contratos financiados pelos contribuintes. Obama fazia campanha para o senador Jon Ossoff e para a candidata ao governo estadual Keisha Lance Bottoms.
De acordo com a pesquisa da Harris, 76% dos entrevistados acreditam que os representantes do governo estão mais preocupados em enriquecer a si mesmos do que em melhorar a vida dos cidadãos. A corrupção foi considerada uma questão eleitoral mais importante do que imigração, saúde e inteligência artificial, ficando atrás apenas do custo de vida em termos de gravidade percebida.
As críticas se concentraram no aumento da riqueza pessoal de Trump e de sua família. O artigo informa que Trump ganhou mais de US$ 2,2 bilhões desde que voltou à Casa Branca, principalmente por meio de empresas relacionadas a criptomoedas. Também destaca doações privadas superiores a US$ 300 milhões para um salão de festas que está sendo construído na Ala Leste da residência presidencial, incluindo compromissos de US$ 25 milhões cada da Apple e da Nvidia.
As preocupações vão além das transações financeiras. Também foram levantadas questões sobre a transparência em torno dos arquivos relacionados ao criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein. O analista político e pesquisador de opinião Frank Luntz afirmou que a corrupção passou de uma preocupação marginal seis meses antes a uma questão decisiva, porque muitos eleitores acreditam que o sistema é injusto e já não funciona para eles.
Controvérsias relacionadas à ética afetaram candidatos dos dois partidos. No Texas, a integridade do republicano Ken Paxton foi questionada na disputa pelo Senado. Em Ohio, um anúncio de campanha do republicano Vivek Ramaswamy contra a candidata democrata Amy Acton foi seguido por um escândalo envolvendo alegações de abuso sexual. Outras disputas incluem acusações sobre a residência do senador republicano Roger Marshall no Kansas, alegações de fraude envolvendo um candidato democrata ao Senado em Minnesota e uma investigação no Alasca sobre se uma campanha procurou um candidato com um nome semelhante ao do senador republicano Dan Sullivan.
O Brennan Center for Justice constatou que as referências à ética governamental em anúncios televisivos atingiram seus níveis mais altos em 14 anos. Quase 24% dos anúncios nas disputas para a Câmara dos Representantes e 16% dos anúncios de campanha para o Senado mencionaram a ética governamental, uma questão que quase não apareceu na campanha presidencial de 2024.
A participação dos eleitores também tem sido excepcionalmente alta para uma eleição de meio de mandato. Mais de 51 milhões de pessoas já haviam votado presencialmente ou pelo correio, 25% a mais do que no mesmo estágio das eleições de meio de mandato de 2022.
Os agregadores de pesquisas apontam para uma possível vitória democrata, impulsionada pela insatisfação com a economia, a corrupção e a impopularidade de Trump. A oposição tem uma vantagem de mais de oito pontos percentuais na disputa pela Câmara dos Representantes, onde os democratas precisam conquistar quatro cadeiras para assumir o controle. As pesquisas também sugerem que os democratas poderiam vencer no Senado, embora as disputas continuem acirradas em Michigan, Alasca, Maine, Iowa, Ohio, Kansas e Texas.
Fontes: El País Internacional.