Cientistas que trabalham no CERN detectaram evidências de um decaimento de partícula excepcionalmente raro usando dados do Grande Colisor de Hádrons (LHC). O resultado diz respeito a uma transformação que ocorre apenas cerca de uma vez a cada 10 bilhões de vezes que a partícula é produzida, segundo o pesquisador Felipe Lopes, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

O LHC fica em um túnel subterrâneo de 27 quilômetros, na fronteira entre a Suíça e a França. No centro de pesquisa do CERN, prótons são acelerados e levados a colidir para que os cientistas possam estudar as partículas produzidas. O processo observado durou uma fração extremamente pequena de segundo e foi medido em uma escala nunca antes observada para essa partícula.

A pesquisa examina o “zeptoverso”, uma escala cerca de 100 bilhões de vezes menor que um átomo. O termo “zepto” se refere a uma parte em um sextilhão, neste caso, de um metro.

Quase 1.200 cientistas assinaram o estudo, incluindo 40 brasileiros. Os pesquisadores brasileiros Erika Policarpo, Irina Nasteva, Felipe Lopes e Sandra Amato discutiram os resultados. Nasteva, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, afirmou que a análise fornece evidências precisas em apoio à teoria que atualmente melhor descreve o universo.

Os resultados se baseiam em dados coletados no acelerador desde 2011. Os pesquisadores dizem que estudar partículas minúsculas pode ajudar a explicar como o universo começou e como evoluiu. Amato também observou que as pesquisas do CERN levaram a tecnologias práticas, incluindo o desenvolvimento da World Wide Web e de equipamentos para exames de PET.

Fontes: G1.