O último dia de votação nas eleições de meio de mandato dos EUA acontece nesta terça-feira, em meio ao que a fonte descreve como uma campanha sem precedentes de interferência eleitoral liderada pelo presidente Donald Trump. Questionado em 27 de outubro se aceitaria um resultado desfavorável, Trump disse que aceitaria se os resultados fossem “honestos”. As pesquisas citadas na reportagem indicam uma possível perda do controle republicano do Congresso.
Trump questionou repetidamente resultados eleitorais em que foi derrotado, sem apresentar provas. Contestou a vitória de Joe Biden em 2020 e, antes da eleição de 2024, sinalizou que talvez não aceitasse uma vitória de Kamala Harris, levantando preocupações sobre possíveis reações de seus apoiadores.
As eleições de meio de mandato são realizadas na metade do mandato presidencial. Neste ano, os eleitores escolhem os 435 integrantes da Câmara dos Representantes e 35 das 100 cadeiras do Senado. Também elegem governadores em 36 estados, além de legisladores estaduais e autoridades locais.
Trump continua alegando fraude eleitoral generalizada, uma afirmação que, segundo a reportagem, não foi comprovada. As eleições nos EUA são administradas pelos estados, em um sistema descentralizado que pode atrasar a apuração, mas torna extremamente difícil alterar cédulas.
O Departamento de Justiça tornou-se o foco central das preocupações sobre o envolvimento federal. Tradicionalmente, o departamento tinha certo grau de independência em relação ao presidente, mas, durante o governo Trump, abriu processos contra adversários políticos e ajuizou ações judiciais relacionadas às eleições. Sua primeira procuradora-geral no atual mandato, Pam Bondi, foi demitida após a forma como lidou com a pressão pública em torno dos arquivos de Epstein. Seu sucessor, Todd Blanche, ex-advogado pessoal de Trump, deu continuidade a essa abordagem, embora tenha sofrido derrotas nos tribunais, segundo a reportagem.
O trabalho eleitoral do Departamento de Justiça passou a se concentrar no que chama de proteção da “integridade do voto”, incluindo investigações sobre supostas fraudes. Enquanto isso, governos estaduais liderados por republicanos e grupos entraram com ações que levaram a decisões da Suprema Corte que enfraqueceram a Lei dos Direitos de Voto de 1965, uma lei histórica que buscava acabar com barreiras discriminatórias ao voto, incluindo testes de alfabetização usados contra eleitores negros nos estados do Sul.
A reportagem afirma que as decisões judiciais permitiram aos republicanos usar novos mapas eleitorais favoráveis em pelo menos sete estados. Apesar das contramedidas dos Democratas na Califórnia e em Utah, estima-se que o esforço de redistribuição distrital dê aos republicanos nove cadeiras a mais do que seria esperado de outra forma.
Muitas das ações do Departamento de Justiça foram rejeitadas pelos tribunais e, segundo a oposição, tiveram mais impacto na confiança do público do que na administração das eleições. Advogados do departamento processaram 30 estados, muitos deles inclinados aos democratas, por se recusarem a fornecer dados de eleitores para verificações federais. A CNN informou em outubro que dados obtidos pelo departamento acabaram nas mãos do ICE, a agência de imigração dos EUA.
Em janeiro, o FBI apreendeu centenas de caixas de cédulas da eleição presidencial de 2020 na Geórgia, estado central nos esforços de Trump para reverter sua derrota para Biden. A operação, descrita por especialistas à mídia americana como altamente incomum, baseou-se em supostos indícios de fraude. Nenhuma fraude foi encontrada, e o Partido Democrata chamou a ação de “um ataque à democracia”.
O Departamento de Justiça também contestou a Califórnia por causa de 20 mil cédulas enviadas pelo correio e depositadas nas eleições deste ano, argumentando que elas não deveriam ser contabilizadas porque poderiam ter sido enviadas por não cidadãos. A lista veio do Departamento de Segurança Interna, que supervisiona o ICE, mas continha inúmeros erros: mais de 40% das pessoas mencionadas não estavam registradas como eleitoras na Califórnia, enquanto outras eram cidadãs naturalizadas. O governo perdeu em todas as instâncias, inclusive na Suprema Corte, que decidiu na segunda-feira.
Na terça-feira, o Departamento de Justiça afirmou ter enviado mais de 1.000 “observadores” eleitorais aos 50 estados pela primeira vez, dizendo que eles registrariam possíveis problemas para serem investigados após a votação. No momento da publicação da reportagem, não haviam sido relatados problemas nos locais de votação.
Fontes: Folha Mundo.