O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes criticou a atuação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante as eleições de 2026 e pediu uma liderança imparcial, sem citar nomes. O tribunal é presidido pelo ministro Kassio Nunes Marques.

“Espera-se que aqueles que lideram o órgão responsável por organizar uma eleição atuem como o árbitro equidistante previsto na Constituição”, disse Mendes na noite de segunda-feira. Ele acrescentou que o silêncio e a hesitação na liderança de instituições importantes não são neutros.

Mendes afirmou que a falta de uma atuação clara poderia abrir espaço para decisões contraditórias, exigir que outras instituições tratassem de questões que poderiam ter sido resolvidas antes e dar margem a ataques ao sistema eleitoral. Ele também disse que o colegiado do TSE garantiu que a eleição transcorresse de acordo com as regras democráticas, mas alertou que a confiança no processo não deveria depender apenas da força do colegiado.

Segundo números citados na reportagem original, o TSE recebeu mais de 100.000 processos relacionados às eleições neste ano, incluindo disputas judiciais sobre propaganda de campanha presidencial nas redes sociais.

A Justiça Eleitoral declarou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva venceu o segundo turno com 64.256.232 votos, ou 51,79% dos votos válidos, contra 59.826.041 votos, ou 48,21%, de Flávio Bolsonaro. A diferença final foi de cerca de 4,4 milhões de votos. Números oficiais do TSE mostraram que 34.393 votos foram contabilizados após a votação ter sido estendida para além do horário de encerramento previsto, às 17h. Mesmo que todos tivessem sido destinados a Lula, teriam representado menos de 1% da diferença final entre os candidatos.

A votação foi estendida até as 19h pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Cristiano Zanin, depois que ambas as campanhas relataram dificuldades no transporte público ao Supremo Tribunal Federal e às autoridades eleitorais.

Após o resultado, Flávio Bolsonaro viajou aos Estados Unidos e divulgou um comunicado alegando fraude eleitoral sem apresentar provas, segundo a reportagem. Mais tarde, Nunes Marques afirmou que a eleição ocorreu normalmente e de acordo com os requisitos legais e constitucionais. Ele também disse que, apesar da instabilidade no fim da votação, as medidas adotadas pelo tribunal e o trabalho de sua equipe técnica permitiram concluir a apuração com segurança.

Fontes: CNN Brasil.