As identidades de 23 das 49 pessoas perdoadas pelo ex-presidente sérvio Aleksandar Vucic foram divulgadas na segunda-feira, provocando críticas da Lista dos Estudantes, o movimento político que obteve maioria absoluta nas eleições parlamentares de 25 de outubro. Os demais beneficiários não foram identificados publicamente.
Várias das pessoas perdoadas eram acusadas de atacar estudantes durante protestos pacíficos realizados antes das eleições. Uma delas havia sido acusada de tentativa de homicídio qualificado após, supostamente, ferir gravemente uma manifestante ao atropelá-la com um carro. Outra beneficiária, a ex-secretária de Estado do Ministério do Interior Dijana Hrkalovic, foi acusada de abusar do cargo ao obstruir investigações policiais para beneficiar um grupo criminoso suspeito de vários assassinatos.
A Lista dos Estudantes afirmou que os perdões deveriam ser usados apenas em circunstâncias excepcionais e justificadas, e não como forma de retaliação política ou de acerto de contas pessoais. Também afirmou que as decisões minaram a confiança nas instituições e os alicerces do sistema jurídico.
A legalidade dos perdões também foi contestada por figuras do Judiciário sérvio. Vida Petrovic Skero, ex-presidente da Suprema Corte da Sérvia, afirmou que Vucic não seguiu o procedimento legal porque o processo não havia sido iniciado pelo Ministério da Justiça. Um grupo de juízes e promotores acredita que o ex-presidente pode ter cometido um crime e pediu ao Gabinete do Promotor de Justiça para o Crime Organizado que investigue o caso.
Vucic renunciou em setembro para liderar a campanha do conservador Partido Progressista Sérvio nas eleições parlamentares e tentar voltar ao cargo de primeiro-ministro. Anteriormente, foi primeiro-ministro de 2014 a 2017, antes de se tornar presidente. A Lista dos Estudantes fez campanha contra o que descreveu como o crescente autoritarismo e a corrupção do governo anterior e prometeu defender o Estado de Direito e fortalecer a independência e a transparência das instituições sérvias.
Fontes: Observador.