O movimento de protesto habitacional conhecido como A Acampada do Porto recusou um convite do presidente da câmara para realizar uma reunião pública. Embora a autoridade municipal tenha oferecido discutir a possibilidade de acampamentos ocasionais em espaços municipais, o movimento declarou numa carta que está atualmente a priorizar os cuidados e o acompanhamento jurídico dos membros detidos durante a intervenção policial no dia 1 de novembro. O grupo esclareceu que esta recusa foi decidida numa assembleia e não constitui uma rejeição do diálogo institucional, mas sim um respeito pelos seus processos de deliberação coletiva. Apesar de recusar a reunião específica, o movimento acolheu com agrado a disponibilidade do presidente da câmara para preparar uma ação pública no Rivoli.

Em resposta a uma decisão recente do Tribunal Administrativo de Lisboa, que reconheceu a legitimidade do uso de tendas como símbolos de protesto, a Polícia de Segurança Pública (PSP) portuguesa confirmou que cumprirá a decisão. O porta-voz da PSP, Sérgio Soares, afirmou que a polícia sempre permitiu aos manifestantes manter um número simbólico de tendas em praças, desde que não sejam violados outros direitos fundamentais. Ele notou que, embora esta opção tenha sido oferecida durante as negociações tanto em Lisboa como no Porto, incluindo discussões na noite do dia 1 de novembro, os organizadores dos protestos não aceitaram a proposta nessa altura.

Simultaneamente, o Conselho de Estado concluiu uma reunião de cinco horas focada em questões de coesão social e habitação. A sessão, convocada pelo Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, terminou às 20:01, com o ex-Presidente Aníbal Cavaco Silva a ser um dos primeiros a sair. Embora a maioria dos membros do conselho tenha saído sem fazer comentários, aderindo ao protocolo, espera-se que uma comunicação formal sobre as discussões seja divulgada em breve.

Noutras notícias, a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) informou que um ciberataque que afetou os sistemas da cadeia de frio impactou sete supermercados Intermarché em Portugal. Gonçalo Lopes Xavier, diretor-geral da APED, confirmou que, embora quatro lojas não tenham sofrido danos na mercadoria, outras três experimentaram perda total de bens devido ao ataque ocorrido durante a noite. Este incidente faz parte de uma onda mais ampla de ciberataques que afetam cadeias de supermercados em toda a Europa, incluindo na Bélgica, Luxemburgo e Suécia.

A nível local, o encerramento da fábrica de calçado Eco em Santa Maria da Feira resultará na perda de 632 postos de trabalho, conforme anunciado aos trabalhadores durante uma reunião no dia 2 de novembro. Nas notícias sobre transportes, a linha ferroviária entre Caldas da Rainha e Torres Vedras está programada para reabrir no dia 15 de novembro após trabalhos de recuperação pela Infraestruturas de Portugal, embora o troço entre Mira Sintra-Molestas e Torres Vedras permaneça suspenso devido a danos causados pela Tempestade Cristi. Adicionalmente, a primeira aplicação do conceito Well Liv foi concluída em Amadora com um projeto de 48 unidades habitacionais híbridas, e Matosinhos está preparada para acolher uma semana de eventos de reabilitação urbana na antiga Fábrica de Conservas Vasco da Gama.

Fontes: Observador.