O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, representando o partido Republicanos, defende uma votação sobre a adoção de um sistema eleitoral distrital misto antes do encerramento deste ano. Um segmento de parlamentares busca aproveitar a composição atual da Casa para finalizar mudanças nas regras eleitorais, visando alterar a forma como os deputados são eleitos e diminuir o impacto dos chamados puxadores de votos.
O modelo distrital misto proposto combina dois métodos de seleção: os candidatos competiriam diretamente por vagas em distritos específicos através de um sistema majoritário, enquanto outras vagas seriam alocadas com base em listas partidárias. Isso contrasta com o sistema proporcional atual, onde o desempenho eleitoral total de um partido determina seu número de assentos legislativos por meio de um quociente eleitoral, que são então preenchidos pelos candidatos mais votados do partido.
O apoio à reforma é particularmente forte entre partidos que perderam assentos ou tiveram crescimento limitado nas eleições recentes, bem como aqueles como o PSD e o MDB que detêm influência significativa no nível municipal. Líderes como Gilberto Kassab, do PSD, apoiam a iniciativa, observando que um sistema baseado em distritos poderia aprimorar o papel dos prefeitos na seleção de candidatos para cargos de deputado.
Sob a estrutura proporcional existente, candidatos com contagens de votos excepcionalmente altas podem ajudar a eleger outros membros de seu partido que, de outra forma, não venceriam. No último ciclo eleitoral, mais de 30 deputados contribuíram para a eleição de outros parlamentares, beneficiando aproximadamente 60 candidatos através desse mecanismo. Embora esse fenômeno tenha sido historicamente destacado por figuras como Tiririca em 2010, as redes sociais recentemente ampliaram o alcance de influenciadores digitais como Nicolas Ferreira, permitindo-lhes mobilizar eleitores em estados inteiros.
Por outro lado, partidos que se beneficiam do modelo atual, incluindo o PT e o PL, expressaram resistência à mudança. Esses partidos possuem membros com capacidades significativas de mobilização eleitoral. O debate também abrange possíveis regulações sobre publicidade política nas redes sociais e propostas para limitar o número de votos considerados válidos para a transferência de assentos, sendo discutido um limite de um milhão de votos como possível patamar.
Apesar do impulso para aprovar a proposta este ano, a oposição de grandes forças políticas como o PT e o PL apresenta obstáculos significativos. Além disso, a existência de federações partidárias dentro do PT adiciona ainda mais complexidade à discussão legislativa.
Fontes: G1.