O Sporting CP anunciou na noite de domingo que se reuniu com Rui Borges e iniciou conversações com vista à rescisão do seu contrato. O clube disse que Tiago Fernandes, atualmente responsável pela equipa B, assumiria o cargo de treinador principal interino com efeito imediato e que o novo treinador da equipa principal seria anunciado em breve. A decisão surgiu após uma série de resultados que deixou o emblema lisboeta a nove pontos do líder do campeonato, o FC Porto, depois de uma derrota frente ao Ac. Viseu ter transformado as dúvidas internas sobre o futuro de Borges em ação.

Paulo Fonseca é o sucessor escolhido e deverá ser apresentado em Alvalade durante a semana. O Sporting chegou a acordo com o Lyon para a sua libertação. Fonseca não foi o primeiro treinador contactado pelo Sporting, mas foi o primeiro a demonstrar forte entusiasmo pela mudança para Alvalade. O clube tinha feito da manutenção de um treinador português uma prioridade, e Fonseca surgiu como a principal opção depois de outros candidatos terem sido excluídos.

A posição de Borges estava sob escrutínio desde o terceiro empate em sete jogos da liga, contra o Arouca. Uma vitória por 2-0 sobre o Casa Pia, com golos de Pedro Lima e Geny Catamo, não aliviou a pressão. A relação entre o treinador e a SAD do clube piorou à medida que Borges soube de contactos exploratórios com possíveis sucessores. Frederico Varandas liderou o processo e tentou manter Borges no comando para o jogo da Liga dos Campeões contra o Shakhtar Donetsk em Londres, na terça-feira, mas o treinador rejeitou essa ideia. Borges acabou por concluir que não tinha condições para ficar, depois de as vitórias sobre o Marítimo na Taça da Liga e sobre o Casa Pia não terem conseguido mudar o cenário.

A saída de Fonseca do Lyon parece estar próxima. Depois da vitória do Lyon sobre o Angers na Ligue 1 no domingo, o treinador português estava visivelmente emotivo e em lágrimas quando os jogadores se dirigiram à zona técnica para celebrar o segundo golo com ele num abraço coletivo que parecia uma despedida. Fonseca afirmou que uma mudança era uma possibilidade e que tudo era possível em relação ao interesse do Sporting, acrescentando que não sabia se terminaria a época no Lyon e que estaria com o grupo na segunda-feira. Sublinhou também o seu afeto pelo clube francês e pelas suas gentes, e a mudança marcaria um regresso a Portugal uma década depois de ter deixado o Sp. Braga.

Um detalhe que ajudou a desbloquear o negócio foi um valor pendente superior a 6,5 milhões de euros relativo a mais-valias da transferência do internacional sub-21 português Afonso Moreira do clube francês para o Bayer Leverkusen, que ainda estava por liquidar.

Tiago Fernandes, cuja equipa B venceu o Leixões no domingo e lidera a Segunda Liga, estará no comando apenas para a quarta jornada da Liga dos Campeões, no reduto do Shakhtar Donetsk. A estreia de Fonseca deverá ocorrer frente ao Moreirense no próximo sábado, no Estádio José Alvalade, ou, no limite, depois da pausa internacional, em casa com o União da Serra na Taça de Portugal, no dia 21. O plano depende da rapidez com que os detalhes finais forem fechados. Espera-se que Fonseca seja apresentado na quarta-feira, o que lhe daria tempo para trabalhar com a equipa e preparar o jogo do dia 7 contra o Moreirense, se não surgir nenhum obstáculo.

O Sporting tinha considerado outros treinadores portugueses. Leonardo Jardim não queria regressar a Portugal, Abel Ferreira não se via a regressar a Alvalade, Vítor Pereira queria continuar no estrangeiro e Sérgio Conceição não era opção. Paulo Sousa e Vítor Matos também foram mencionados, mas Fonseca era o candidato principal.

Borges tinha dito, após a vitória sobre o Casa Pia, que sentia confiança do presidente e de todos no clube, que a vitória era importante depois de um resultado negativo e que tudo o resto era ruído. Acrescentou que não estava preocupado e que a equipa tinha vindo para jogar um jogo de futebol, não ópera.

Fontes: Observador.