O Brasil está acompanhando de perto as eleições de meio de mandato dos EUA, e autoridades esperam que uma possível vitória democrata possa melhorar as perspectivas de retomada das negociações bilaterais. A avaliação, noticiada pela âncora da CNN Tainá Falcão, é que a perda do controle republicano do Congresso poderia limitar o presidente Donald Trump e estimular uma abordagem mais pragmática em relação ao Brasil.
Assessores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva acreditam que uma mudança no equilíbrio de forças no Congresso poderia levar Trump a reconsiderar suas prioridades durante os dois últimos anos de seu mandato. Eles veem a possibilidade de um menor envolvimento dos EUA nos assuntos políticos da América Latina e de uma maior disposição para discutir tarifas.
As conversas sobre tarifas aplicadas a produtos brasileiros estão suspensas desde o último encontro entre os países, em 30 de setembro. O Brasil aguarda que os Estados Unidos apresentem uma lista de suas exigências para que as discussões possam avançar. Fontes do governo também sugerem que mudanças no Congresso poderiam levar a uma reformulação da equipe de Trump e trazer novos interlocutores para as conversas. Uma maioria democrata também poderia abrir espaço para discussões sobre temas de interesse do Brasil, incluindo a regulamentação das grandes empresas de tecnologia.
No entanto, não se espera que o resultado eleitoral garanta uma mudança imediata na posição de Washington. A analista política da CNN Isabel Mega afirmou que as negociações já haviam sido adiadas primeiro por causa das eleições brasileiras e, depois, das eleições de meio de mandato nos EUA. Segundo ela, algumas fontes acreditam que um Trump enfraquecido poderia se mostrar mais aberto a negociações com países como o Brasil, mas ressaltou que a imprevisibilidade dele torna difícil prever o desfecho.
Mega também observou que as tarifas podem elevar os custos para os consumidores dos EUA, uma questão central nas eleições de meio de mandato. Ao mesmo tempo, Trump poderia optar por um rumo mais confrontador, e figuras próximas a ele, incluindo Marco Rubio, podem influenciar as relações dos EUA com a América Latina. Autoridades brasileiras consideram os Estados Unidos um importante parceiro comercial e acompanham a eleição com interesse, mas também com cautela.
Fontes: CNN Brasil.