O boletim literário da SPIEGEL pergunta se os livros estão se tornando o próximo item da lista de afazeres. O jornalista cultural Xaver von Cranach abre com uma pequena observação que o incomoda: em pouco tempo, ele vê duas mulheres lendo livros na sauna. Também notou uma mulher lendo em uma esteira na academia e outra empurrando um carrinho de bebê com um romance na mão. Cranach trata a cena da sauna como um possível sinal de quão rigidamente o lazer é organizado: com o trabalho assalariado, o trabalho de cuidado e o trabalho emocional preenchendo o dia, as poucas horas que as pessoas passam sozinhas podem parecer algo que precisa ser bem usado. Quinze minutos na sauna, escreve ele, podem bastar para dois capítulos — mas isso não transforma a leitura em trabalho?
Seu próprio teste veio por meio do júri do SPIEGEL-Buchpreis, que deve ser concedido em 16 de novembro. No auge do trabalho do júri, ele teve de ler 20 romances em cerca de oito semanas. Ele canalizou sua Rory Gilmore interior, carregou pelo menos um livro e às vezes dois, e leu no ônibus, no metrô, enquanto esperava no vestiário da Kita, no parque infantil e nas filas do supermercado. A leitura era eficiente e direcionada, e ele admite que era trabalho. Mas também descobriu que a vida era melhor porque podia escapar para dentro de um livro a qualquer momento. Esperar, brincar com o filho, conversar com a esposa e até passar tempo consigo mesmo também podiam parecer trabalho; a leitura parecia o menor dos males, uma maneira de tirar férias da própria vida, como Robert Musil escreveu em O Homem sem Qualidades. O boletim promete novas atualizações.
Em outra parte do boletim, Cranach observa que Colson Whitehead conclui sua trilogia de Nova York com Cool Machine. Cranach leu apenas Underground Railroad, o romance político mais sombrio sobre um sistema subterrâneo de túneis usado por pessoas escravizadas para escapar dos estados do sul, mas diz que Whitehead também sabe escrever de maneira muito diferente. Seu colega Christian Buß encontrou Whitehead em Nova York e caminhou pelas ruas com ele, dando uma ideia do que significa viver na cidade como escritor com olhos e ouvidos abertos.
O boletim também inclui uma pequena entrevista com Timon Karl Kaleyta. Perguntado sobre o livro de sua vida, ele cita Rot und Schwarz, de Stendhal (O Vermelho e o Negro), dizendo que aprendeu cedo que a maioria das coisas na vida pode ser extremamente engraçada mesmo quando não deveria ser. Em sua mesa de cabeceira está Wir Ostpreußen, de Jochen Buchsteiner, que ele diz precisar 'processar'. Ele recusa a ideia de que algum livro seja discutido demais, incluindo os piores, e diz que todos os livros são discutidos de menos. Se todos os talk shows políticos e podcasts fossem substituídos por programas sobre livros que discutissem apenas Dark Romance e Romantasy, ele sugere, todos estariam melhor. Sua última mensagem no WhatsApp foi para seu novo agente, um lembrete diário para não ser desagradável com sua amada editora. O livro mais recente de Kaleyta é Heilung; seu novo romance, Gute Nacht, deve sair pela Piper em fevereiro do próximo ano.
A seção de citações é dedicada a Amazonen, de Cleo Birdwell, um romance satírico publicado pela primeira vez em 1980 e apresentado como as memórias íntimas da primeira mulher na National Hockey League. Cleo Birdwell era um pseudônimo do autor americano Don DeLillo. O livro combina sexo, camp e hóquei no gelo; segundo o boletim, ele foi desenterrado porque o romance de hóquei se tornou um gênero de sucesso entre a Geração Z, com séries como Heated Rivalry e Off Campus. Uma edição alemã deve sair em 17 de novembro.
O boletim termina com as atuais listas de best-sellers da SPIEGEL. Em ficção de capa dura, Der Nachtzug, de Sebastian Fitzek, entra em nº 1, seguido por Die Lücken, de Shida Bazyar, em nº 2, e Pony Show, de Juli Zeh, em nº 3. Em não ficção de capa dura, Arctic Meltdown, de Robert Habeck, lidera, à frente de Auserzählt?, de Richard David Precht, e Nein sagen, de Matthias Brandt.
Fontes: Der Spiegel.