Uma juíza federal nos Estados Unidos rejeitou no domingo uma ação do governo do presidente Donald Trump que buscava impedir o Alasca de certificar a derrota do senador republicano Dan Sullivan nas eleições de meio de mandato de terça-feira caso votos dados a um rival com o mesmo nome pudessem ter alterado o resultado.
A decisão da juíza federal Sharon Gleason, em Anchorage, foi o mais recente revés nos esforços de Trump de ampliar o papel do governo federal nas eleições, que, segundo a Constituição dos EUA, são administradas pelos estados.
A disputa entre Sullivan e a ex-deputada democrata Mary Peltola pode ser decisiva para determinar se os republicanos alinhados a Trump conseguirão manter o controle do Senado.
O governo Trump tem adotado uma postura cada vez mais agressiva na supervisão eleitoral, pressionando estados a fornecer dados de registro de eleitores e argumentando que medidas mais rígidas são necessárias para garantir a confiança pública na votação. Críticos, incluindo autoridades eleitorais democratas e alguns republicanos, veem essas medidas como intromissão federal excessiva.
O esforço para recrutar candidatos com nomes semelhantes ao do senador republicano teria começado em meados de 2025, segundo uma investigação publicada pelo The New York Times na última quarta-feira. O jornal relatou que membros da equipe de Peltola foram instruídos a encontrar pessoas chamadas Dan Sullivan no Alasca e persuadi-las a entrar na disputa ao Senado. A reportagem foi baseada em entrevistas, mensagens de texto e documentos preparados para uma possível ação judicial contra a campanha democrata.
A iniciativa, segundo relatos, envolveu membros da campanha de Peltola, advogados e funcionários do Comitê de Campanha Senatorial Democrata, que cuida da estratégia do partido em disputas ao Senado. O grupo também considerou criar um novo partido político para atrair eleitores conservadores e fragmentar o apoio ao senador republicano, de acordo com a reportagem.
Elisa Rios, ex-gerente de campanha de Peltola que foi demitida em agosto, disse ao The New York Times que a democrata estava ciente da iniciativa. O DSCC negou envolvimento e acusou os republicanos de também apoiarem candidaturas de adversários em outras disputas. A campanha de Peltola também negou participação nas candidaturas dos dois Sullivan.
Na primária de agosto, Peltola terminou em primeiro lugar com 49,5% dos votos. O senador Dan S. Sullivan ficou em segundo, com 41,4%. Daniel J. Sullivan Jr. recebeu 2,5%, ou 4.107 votos. Pelas regras eleitorais do Alasca, os quatro candidatos mais votados na primária avançam para a eleição geral, portanto os dois Sullivan estão na cédula para a mesma cadeira do Senado.
Daniel J. Sullivan Jr. é um professor aposentado que vive em uma pequena comunidade pesqueira no estado. Em entrevistas a veículos dos EUA, ele negou que tenha entrado na disputa para confundir eleitores ou atrair votos do senador republicano.
Fontes: G1.