João Albuquerque, especialista em relações internacionais, afirmou que o apoio dos Estados Unidos à retoma das vendas de gás russo à Europa através da Ucrânia prejudicaria a confiança entre os Estados Unidos e a Europa e ajudaria a Rússia a financiar o seu esforço de guerra. Falava no programa Gabinete de Guerra, da Rádio Observador, que também abordou ciberataques, o Irão e a política israelita.
O Wall Street Journal noticiou que a proposta fazia parte de negociações destinadas a garantir um cessar-fogo energético antes do inverno. Albuquerque descreveu essa possibilidade como uma rutura grave com os esforços para restringir a economia russa, argumentando que o alívio das sanções poderia proporcionar a Moscovo recursos financeiros num momento particularmente difícil para as defesas da Ucrânia.
Afirmou que a medida aumentaria as preocupações europeias de que Donald Trump estava cada vez mais a tomar o partido da Rússia e instou os líderes europeus a não desvalorizarem a política, considerando-a um afastamento temporário. Albuquerque também assinalou a dependência da Ucrânia dos sistemas de informação dos Estados Unidos e afirmou que a Europa ainda não tinha conseguido substituir todas as capacidades disponibilizadas por Washington. Disse que os ciberataques a aplicações de alerta na Ucrânia e na Rússia, que enviaram avisos falsos sobre ameaças nucleares e químicas, ataques aéreos e combates urbanos, poderiam ter como objetivo criar confusão e incerteza. Acrescentou que a Rússia era uma possível responsável, mas afirmou que a responsabilidade ainda não tinha sido determinada.
Sobre o Irão, Albuquerque afirmou que uma possível alteração no equilíbrio de poder no Congresso dos Estados Unidos poderia afetar as escolhas de Trump. Alertou que Washington poderia intensificar a ação militar contra o Irão antes de um novo Congresso tomar posse, observando, contudo, que era difícil prever a resposta do presidente a possíveis restrições impostas pelo Congresso.
Passando a Israel, Albuquerque afirmou que a rejeição do pedido do partido Likud para adiar a certificação das eleições era significativa, tal como as negações do Qatar e de outros países acusados por Benjamin Netanyahu de interferirem na votação. Argumentou que Netanyahu poderia beneficiar de um processo prolongado: permanecer no cargo como primeiro-ministro interino e, potencialmente, obter uma vantagem caso fossem convocadas novas eleições por não ser possível formar uma coligação governamental. O pedido de adiamento da certificação baseava-se em alegações de que a interferência estrangeira tinha aumentado a participação dos árabes israelitas.
Fontes: Observador.