A Ministra do Ambiente e da Energia de Portugal, Maria da Graça Carvalho, admitiu que vários territórios no norte do país estão à beira de entrar numa fase de seca extrema. Falando na Assembleia da República durante uma audição sobre o Orçamento de Estado para 2027, a ministra destacou a situação paradoxal em que áreas que foram inundadas há apenas três meses agora enfrentam escassez severa de água devido a meses sem chuva.

Carvalho afirmou que, embora o governo tenha evitado gerar cobertura mediática excessiva para prevenir insegurança pública, está a monitorizar ativamente os níveis das barragens. A administração está a preparar-se para uma mudança rápida nos padrões meteorológicos, com planos para começar a esvaziar reservatórios caso ocorram chuvas fortes. A ministra enfatizou que o ambiente de trabalho atual exige prontidão para mudanças súbitas e eventos extremos, variando desde secas severas até cheias repentinas que poderiam ocorrer num mês ou menos.

Para abordar a crise imediata da água, o governo está a estabelecer redundâncias nos sistemas de abastecimento de água para os territórios mais afetados. Carvalho notou que, embora a reação deva ser rápida, as restrições administrativas por vezes dificultam a implementação rápida. O ministério está atualmente a equilibrar a necessidade de gerir níveis baixos de água com a necessidade de preparar infraestruturas para potenciais inundações nas próximas semanas.

Para além da gestão da água, a ministra abordou a questão crítica da gestão de resíduos, descrevendo-a como o "pior legado" que herdou. Com um orçamento de 600 milhões de euros no âmbito do programa Terra+, o governo visa reduzir a dependência excessiva do país em aterros sanitários. Carvalho relatou que a capacidade disponível de aterros aumentou de 12% em 2022 para 25% em 2025, embora tenha reconhecido que esta não é uma solução completa.

A ministra alertou que, sem alternativas urgentes, o país corre o risco de se tornar uma nação de lixeiras à medida que os aterros existentes se enchem. Destacou a região do Algarve, onde mais de 85% dos resíduos acabam em aterros e a produção anual de resíduos urbanos excede as 400.000 toneladas. Para combater isto, o governo assinou recentemente um acordo com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e universidades para estudar soluções técnicas para o tratamento de resíduos na região.

Carvalho sublinhou que resolver estes problemas exige colaboração entre o governo central, as autoridades locais e a população. Apontou que a oposição sistemática por parte de funcionários locais dificulta o progresso e apelou a uma maior aceitação pública de novas tecnologias, como o tratamento biológico e mecânico. A ministra concluiu exortando os cidadãos a reduzir a geração de resíduos e a melhorar as práticas de separação para apoiar estas soluções científicas.

Fontes: Observador.