Os eleitores do Kansas elegeram o democrata Adam Hamilton para o Senado dos EUA, o primeiro democrata do estado a conquistar uma cadeira na câmara desde 1932. A Associated Press projetou a vitória de Hamilton sobre o senador republicano Roger Marshall, forte apoiador do Presidente Trump.
Hamilton, pastor da maior igreja metodista unida do país, fez campanha com uma postura moderada e disse que ouviria pessoas dos dois lados. Depois de considerar uma candidatura independente, descreveu-se como um “democrata de espírito independente” e enfatizou uma mensagem voltada para o Kansas.
O resultado veio em um estado que apoiou Trump por margens de dois dígitos em cada eleição presidencial desde 2016, mas que também elegeu e reelegeu um governador democrata moderado durante esse período. Marshall venceu sua eleição anterior para o Senado por mais de 11 pontos percentuais em 2020, mas esta disputa se tornou a mais cara da história do Kansas, com Hamilton estabelecendo vários recordes de arrecadação.
Os apelos de Hamilton por limites de mandato, suas críticas aos democratas nacionais e o apoio de republicanos influentes do Kansas ajudaram a moldar sua campanha. Ele também manteve distância dos líderes do partido: embora sua campanha tenha recebido US$ 5 milhões de um comitê de ação política associado ao líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, Hamilton disse que não apoiaria Schumer para outro cargo de liderança. No debate final, Marshall tentou repetidamente associar Hamilton a Schumer.
As campanhas também trocaram ataques pessoais. A campanha de Marshall concentrou-se em alegações sobre a maneira como a igreja de Hamilton lidou com denúncias de abuso sexual envolvendo um voluntário de acampamento. Registros judiciais mostram que a investigação inicial da igreja não foi conclusiva; depois que o voluntário voltou a ser acusado de abuso no ano seguinte, os líderes da igreja contataram as autoridades. Hamilton disse que não participou da decisão de permitir o retorno do voluntário e que a polícia deveria ter sido chamada após a primeira denúncia.
Enquanto isso, a campanha de Hamilton destacou uma reportagem segundo a qual Marshall havia processado centenas de ex-pacientes por dívidas médicas. Um ex-paciente que apareceu em um anúncio de Hamilton processou Marshall cinco dias antes do dia da eleição, alegando que ele havia cobrado uma taxa de juros abusiva.
Os republicanos nacionais também voltaram sua atenção para o Kansas, e Trump e o vice-presidente visitaram o estado duas vezes cada um durante a campanha. Mais tarde, as pesquisas passaram a favorecer Hamilton, segundo a reportagem.
Fontes: NPR News.