Dentro dos Centros de Regulação de Circulação (CRC), os operadores gerenciam redes ferroviárias complexas por meio de interfaces digitais que exibem os movimentos dos trens de forma esquemática. Essas instalações, consideradas infraestrutura crítica, exigem autorização de segurança rigorosa para acesso em locais estratégicos como a estação França na Catalunha e Atocha em Madri, esta última sendo o maior CRC da Espanha e recentemente destacada após o acidente de Urda. O trabalho é organizado em postos de controle específicos onde um operador da Adif gerencia uma linha ou seção designada, apoiado por colegas conforme necessário, enquanto supervisores e gestores da sala mantêm a supervisão de todas as operações.

Em condições normais com sistemas digitais como ERTMS ou LZB ativos, os operadores supervisionam principalmente a regulação automática e os bloqueios eletrônicos. No entanto, quando os sistemas de sinalização falham, é ativada a gestão manual usando bloqueio lateral de sinal (BSL) ou o sistema ASFA. Nesses cenários degradados, o CRC torna-se os olhos do maquinista, dependendo de mensagens telefônicas regulatórias conhecidas como "telefonemas" ditadas via rádio. Um erro crítico neste processo de comunicação foi identificado como um fator no acidente recente, onde uma ordem incorreta permitiu velocidade normal em vez de restringir o movimento a 40 km/h sob controle visual.

A paisagem operacional mudou significativamente devido à alta rotatividade de pessoal e à falta de funcionários experientes. O sindicato ferroviário CGT critica a estratégia de substituição acelerada, observando que os novos contratados muitas vezes entram em funções críticas diretamente de fora do setor, sem experiência prévia no campo ou treinamento suficiente. Diferentemente dos maquinistas, esses operadores não passam por exames do Ministério dos Transportes ou da Aesf antes de começar; eles passam por um curso de treinamento de seis meses após garantir sua posição através de concursos públicos para obter a certificação de responsabilidade de circulação. Isso contrasta fortemente com os controladores de tráfego aéreo, que enfrentam requisitos de entrada mais rigorosos e salários mais altos.

O Sindicato de Circulação Ferroviária (SCF) destaca que a falta de pessoal coexiste com uma carga de trabalho avassaladora que excede a capacidade. Desde a liberalização do trem de alta velocidade, o número de trens aumentou enquanto os níveis de contratação permaneceram estáticos. Protestos recentes fora da sede da Adif refletem o crescente descontentamento dentro do coletivo, exacerbado por declarações públicas culpando trabalhadores individuais e o vazamento de gravações internas. No CRC da estação França, a equipe é frequentemente forçada a fazer turnos duplos para cobrir operações 24 horas em 14 postos, levando à fadiga acumulada de trabalhar dias de 12 horas em um ambiente de alta alerta onde as pausas às vezes são impossíveis.

Essas condições levantam questões sobre como uma janela de 17 minutos passou entre uma ordem incorreta e a colisão sem intervenção. Executivos do setor apontam para um desalinhamento de prioridades dentro da Adif, sugerindo que a hiper-regulação deslocou o foco para equipes de análise de risco em vez de resolução diária de problemas e manutenção. Essa preocupação ecoa incidentes anteriores como Adamuz, questionando se o investimento em infraestrutura corresponde às demandas de um corredor liberalizado com tráfego de trens significativamente aumentado.

Fontes: La Vanguardia.