O analista político Jaime Nogueira Pinto afirmou que a guerra no Irão e o seu impacto nos preços e nos custos dos combustíveis prejudicaram a posição de Donald Trump, sobretudo porque muitos norte-americanos não consideram o conflito essencial para os interesses dos EUA. Numa entrevista sobre os resultados eleitorais, afirmou que os ganhos dos Democratas estavam, em termos gerais, de acordo com as expectativas para a Câmara dos Representantes, enquanto o resultado no Senado era menos previsível.

Nogueira Pinto argumentou que Trump conquistou apoio ao prometer pôr fim ao que descreveu como guerras neoconservadoras e seguir uma política externa centrada nos interesses americanos. Em vez disso, o conflito, que, segundo afirmou, começou a 28 de fevereiro, e o encerramento do Estreito de Ormuz trouxeram consequências económicas para as famílias norte-americanas. Acrescentou que as expectativas de um desfecho rápido no Irão não se concretizaram.

Disse que as críticas à abordagem de Trump também vieram de vozes conservadoras, incluindo Tucker Carlson e a American Conservative, que acusam o presidente de regressar a políticas neoconservadoras. Nogueira Pinto sugeriu que Trump relutava em pôr fim ao conflito por recear parecer fraco e que a consequente frustração com os preços e as expectativas não cumpridas pesou sobre os Republicanos.

Ao falar do futuro do partido, afirmou que era improvável que Trump se afastasse da política e que continuaria a ser influente à medida que surgissem possíveis sucessores, incluindo Ted Cruz, J.D. Vance e Marco Rubio. Observou que Vance evitara assumir compromissos públicos firmes em relação à guerra, mas afirmou que a sua posição dificultava um desafio direto ao presidente.

Nogueira Pinto descreveu a chegada de Trump como uma rutura no Partido Republicano, que atraiu eleitores, incluindo comunidades da classe trabalhadora do Rust Belt afetadas pela desindustrialização. Disse que o apelo de Trump fora significativo, mas que o conflito no Irão minara parte da promessa política que lhe estava subjacente.

Sobre a política externa, Nogueira Pinto afirmou que a ordem liberal internacional tinha efetivamente chegado ao fim e que os interesses nacionais e as relações entre as grandes potências tinham assumido maior centralidade. Não esperava uma grande mudança imediata na abordagem de Trump após as eleições, mas afirmou que seria difícil justificar um novo ataque ao Irão ou uma tentativa de prolongar a guerra. Acrescentou que a mudança mais ampla da ordem mundial poderia continuar com ou sem Trump.

Fontes: Observador.