João Roberto Bolelli, pecuarista de 62 anos suspeito de matar sua ex-companheira, Priscila Lacerda Custodio, de 24 anos, foi encontrado morto na segunda-feira, 2 de novembro, em uma área de mata perto de sua casa em Rifaina, no estado de São Paulo. A polícia registrou a morte como suspeita. Segundo o boletim de ocorrência, foram encontrados em suas roupas uma carta escrita à mão e dinheiro, além de um celular, um relógio e a chave de uma caminhonete. Um cartucho intacto de calibre .38 foi encontrado nas proximidades; nenhuma arma de fogo constava entre os itens apreendidos.
As cédulas descritas no boletim somavam 14.926 reais, embora os policiais tenham dito que não puderam verificar o valor exato porque os itens estavam molhados e o corpo estava em decomposição. O conteúdo da carta não foi divulgado. A causa e a data da morte de Bolelli também não foram confirmadas. A advogada da família, Lauriane Baldini França, disse ao g1 que os parentes foram informados de que o laudo preliminar não indicava a causa. Ela havia dito anteriormente que conversas informais com investigadores sugeriam um ataque cardíaco, mas afirmou que não tinha visto o laudo.
A advogada também afirma que faltam 100 mil reais em dinheiro e que o valor encontrado com Bolelli era separado dessa quantia. Ela disse que a família pretende comunicar o suposto desaparecimento à polícia após o funeral. Diogo Máximo, que representa a família de Priscila, disse ao g1 que o dinheiro não aparece na investigação que analisou. A Secretaria de Segurança Pública do estado de São Paulo confirmou detalhes do boletim de ocorrência, mas não informou se o suposto desaparecimento do dinheiro estava sendo investigado.
As famílias também apresentam versões conflitantes dos acontecimentos em torno da morte de Priscila. Ela foi a Rifaina em 27 de outubro com o irmão e uma amiga para devolver a caminhonete de Bolelli. Naquela noite, foi baleada ao lado da rodovia Cândido Portinari e morreu. Segundo o boletim de ocorrência, Bolelli fugiu no veículo, que foi encontrado no dia seguinte na área onde seu corpo seria descoberto mais tarde.
O irmão de Priscila e a família de Bolelli concordam que a caminhonete pertencia a Bolelli e deveria ser devolvida, mas discordam sobre quando ela saiu da fazenda dele com o veículo. O irmão disse que ela voltou para Perdizes, em Minas Gerais, em 22 de outubro. França disse que Priscila saiu da fazenda na caminhonete em 23 de outubro, depois de uma viagem a Franca com Bolelli. Ela afirmou que um neto confirmou que mensagens de áudio no celular de Bolelli tratavam da devolução do veículo por Priscila em 27 de outubro. O telefone foi encontrado com o corpo dele.
Também há divergências sobre a presença de outras pessoas no local do tiroteio. O irmão e a amiga de Priscila disseram à polícia que pessoas em outros veículos chegaram ao local. Mais tarde, o irmão afirmou que Bolelli estava acompanhado de duas pessoas, uma das quais ele acreditava ser o neto de Bolelli e que levou Priscila ao hospital. Ele disse que a outra pessoa foi embora e que nenhuma das duas participou do tiroteio. França negou que Bolelli estivesse acompanhado de “capangas” e disse que câmeras da guarda municipal mostraram quatro veículos, incluindo um pertencente ao neto que ajudou Priscila. As imagens não foram divulgadas.
Samuel Ramos, namorado de Priscila, disse ao g1 que Bolelli não aceitava que ela estivesse saindo com outra pessoa e havia contratado um detetive para segui-la. Uma amiga disse à polícia que Priscila contou que Bolelli a ameaçava e contratava pessoas para monitorá-la em Minas Gerais. França negou que houvesse um detetive envolvido, dizendo que a caminhonete tinha um rastreador exigido pela seguradora. Ela afirmou que o aparelho estava vinculado ao celular de um neto e que a família o usou para saber que Bolelli e Priscila estiveram juntos em Franca nos dias 22 e 23 de outubro. Não se sabe se os dados do rastreador fazem parte da investigação.
As versões também divergem sobre a natureza e o período do relacionamento de Priscila com Bolelli. O boletim de ocorrência descreve uma relação casual que durou quase quatro meses, e a amiga dela disse que começou em julho. Ramos afirmou que a relação casual dos dois começou no fim de 2025 e havia terminado antes de Priscila conhecê-lo. Ele também disse que ele e Priscila moravam juntos em Perdizes e que havia pedido a mão dela em casamento. França disse que Bolelli e Priscila se relacionavam desde 2025 e viajaram juntos pouco antes do tiroteio. Máximo disse que Priscila prestava serviços de vídeo a Bolelli no setor agrícola e contestou a alegação de que ela estava procurando um carro com ele.
O irmão de Priscila disse à polícia que, na noite em que ela foi morta, ela afirmou que queria ir embora e não queria continuar o relacionamento. Ele disse à EPTV que a ouviu acusar Bolelli de agredi-la; segundo ele, Bolelli negou. A amiga dela também disse à polícia que Bolelli questionou Priscila sobre uma viagem a Sacramento, em Minas Gerais, e a acusou de estar saindo com outro homem. O delegado responsável pela investigação, Fábio Branquinho, disse que os dois discordavam sobre como o relacionamento terminaria.
Máximo disse que a família de Priscila quer que a investigação seja concluída e classificou a morte dela como feminicídio. Ele afirmou que as alegações feitas pela família de Bolelli precisarão ser comprovadas. A Secretaria de Segurança Pública não divulgou o conteúdo da carta nem forneceu mais detalhes sobre a morte de Bolelli. As autoridades não confirmaram a causa nem a data da morte, não identificaram todas as pessoas que supostamente estavam no local do tiroteio e não informaram se o rastreador, o celular e as imagens das câmeras municipais fazem parte da investigação.
A morte de Bolelli significa que ele não poderá mais ser processado pelo suposto assassinato. No entanto, a investigação pode continuar para determinar se mais alguém esteve envolvido. Segundo o advogado João Pedro Silvestrini, os promotores podem apresentar acusações contra outros participantes se houver provas que as sustentem. A família de Priscila também pode buscar indenização contra o espólio de Bolelli. Máximo disse que a família quer que a investigação seja concluída independentemente da morte de Bolelli.
Fontes: G1.