Hiroo Onoda, oficial do Exército Imperial Japonês, permaneceu escondido na ilha filipina de Lubang por quase 30 anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial. Ele saiu da selva em 1974, somente após receber uma ordem direta de seu antigo comandante, e mudou-se para o Brasil no ano seguinte.
Onoda tinha 22 anos quando foi enviado a Lubang, em dezembro de 1944. Suas ordens eram dificultar o avanço das forças americanas, realizar sabotagens e nunca se render nem tirar a própria vida. Depois que o Japão se rendeu oficialmente, em agosto de 1945, Onoda e três companheiros de armas consideraram mensagens lançadas na ilha como um ardil do inimigo.
Mais tarde, autoridades e familiares tentaram entrar em contato com os resistentes enviando cartas e mensagens de áudio. Onoda continuava convencido de que o Japão não havia se rendido. Um de seus companheiros se entregou em 1950; os outros dois morreram posteriormente em confrontos com a polícia local, deixando Onoda sozinho.
Ele sobreviveu com alimentos como cocos, bananas, arroz e gado que pegava de agricultores locais. Também mantinha seu uniforme, sua espada e seu rifle em condições de uso, acreditando que ainda estava em serviço.
Em fevereiro de 1974, o explorador japonês Norio Suzuki encontrou Onoda. Mas Onoda não entregaria suas armas sem uma ordem direta de seu superior. O governo japonês localizou o ex-major Yoshimi Taniguchi, que havia deixado o serviço militar e trabalhava em uma livraria. Em 9 de março, Taniguchi viajou a Lubang com seu antigo uniforme e leu para Onoda uma ordem oficial para encerrar as operações e se desmobilizar. Onoda, então com 52 anos, fez continência e entregou sua espada.
Depois de voltar ao Japão, Onoda teve dificuldades com a atenção da mídia e as mudanças culturais que encontrou. Mudou-se para o Brasil em 1975, estabeleceu-se em Terenos, no Mato Grosso do Sul, e criou gado por mais de uma década. Morreu em Tóquio, em janeiro de 2014, aos 91 anos. Sua história foi contada posteriormente no filme de 2021 “Onoda: 10,000 Nights in the Jungle.”
Fontes: CNN Brasil.