O julgamento em andamento do ex-apresentador Alan Jones viu uma suspensão temporária na terça-feira, quando o juiz Glenn Walsh concordou com um breve intervalo, permitindo que o réu assistisse à Melbourne Cup. Jones, que enfrenta 21 acusações de assédio indecente e toque sexual envolvendo cinco homens, estava sentado na galeria pública rindo alto quando sua advogada de defesa, Gabrielle Bashir SC, solicitou a pausa pouco antes das 15h. O juiz Walsh reconheceu a importância da corrida para o réu e suspendeu o tribunal das 14h50 às 15h10.

A interrupção ocorreu durante o depoimento de Kate McClymont, repórter investigativa chefe do The Sydney Morning Herald. Sua investigação de vários anos, publicada em dezembro de 2023, levou supostas vítimas a se manifestarem e fez com que a polícia formasse a Força-Tarefa Bonnefin. McClymont passou o dia na cadeira das testemunhas respondendo a perguntas sobre seus métodos de reportagem e a linha do tempo de sua investigação, que começou já em outubro de 2017.

Sob contra-interrogatório de Bashir, McClymont abordou alegações de que ela buscava histórias sensacionalistas ou era motivada por rivalidade com o ex-colega de Jones, Ray Hadley. Ela negou usar frases como "go the grope" para efeito, afirmando que tais expressões foram repetidas a ela pelas vítimas durante conversas. McClymont também testemunhou que as métricas de leitores e a receita publicitária eram irrelevantes para seu processo jornalístico e confirmou que as três supostas vítimas que entrevistou não receberam benefício financeiro ao compartilhar suas histórias.

A defesa apresentou registros de chamadas e e-mails datados de 2017 entre McClymont, o colunista Peter FitzSimons e a repórter Jennifer Duke. Bashir argumentou que os jornalistas estavam "procurando uma história" alimentada por ciúmes. No entanto, McClymont manteve que sempre buscou comentários de Jones e sua equipe jurídica via texto e e-mail antes da publicação. Ela esclareceu ainda que, embora tenha entrevistado três supostas vítimas, manteve suas histórias confidenciais umas das outras.

McClymont explicou que inicialmente não compartilhou suas anotações de entrevista ou gravações com a polícia devido a preocupações com a confidencialidade, embora mais tarde tenha recebido um mandado para o material em 2026. O tribunal ouviu que a carreira de rádio de Jones terminou abruptamente em 2020 após incidentes ao vivo que fizeram a estação perder anunciantes e receita. Ele foi preso em seu apartamento na cidade no final de 2024, após uma investigação prolongada, momento em que já estava aposentado de seu programa de 4 milhões de dólares por ano há quatro anos.

Durante a audiência no tribunal local do Downing Centre, Jones foi apoiado pela ativista dos direitos dos homens Bettina Arndt e pelo advogado de difamação Paul Svilans. McClymont, vencedora dez vezes do prêmio Walkley, foi acompanhada pelo editor do The Sydney Morning Herald, Jordan Baker, e pelo vice-editor Nick Ralston. Os procedimentos perante o juiz Walsh devem continuar.

Fontes: The Guardian World.