Oliver Ryder afirma que a clonagem bem-sucedida de um cavalo-de-Przewalski a partir de células vivas recolhidas há mais de quatro décadas mostra até que ponto a preservação genética avançou. O trabalho dá continuidade aos esforços para utilizar a clonagem no apoio a espécies ameaçadas, incluindo o furão-de-patas-pretas nos Estados Unidos, e para aumentar a sua diversidade genética.

Ryder, que ajudou a criar uma coleção de células congeladas no Jardim Zoológico de San Diego, afirma que a possibilidade de clonar mamutes a partir de ADN encontrado no permafrost da Sibéria é entusiasmante, mas também inquietante. Questionado sobre a ideia, levantou uma questão fundamental: qual seria o propósito? Acrescentou que o poder oferecido por estas tecnologias o deixa inquieto.

O seu trabalho começou com um foco na biologia molecular e nas causas da extinção. No Jardim Zoológico de San Diego, Ryder pôde recolher amostras de pele, fazer biópsias e congelar células vivas para estudo posterior. Trabalhou com jardins zoológicos que acolhiam cavalos-de-Przewalski, cuja população descendia de um pequeno número de animais capturados no início do século XX, o que deixou a espécie com uma diversidade genética reduzida.

Os jardins zoológicos formaram uma cooperativa, enviando a Ryder amostras de pele de cavalos que morreram. O esforço ajudou a criar um banco genético congelado, e Ryder afirma que o Jardim Zoológico de San Diego possui agora amostras vivas congeladas de 12.000 animais. O seu biobanco preserva material de mais de 1.300 espécies animais.

Após a clonagem da ovelha Dolly, em 1996, Ryder e os seus colegas exploraram como a clonagem poderia contribuir para a conservação. O primeiro cavalo-de-Przewalski clonado, Kurt, nasceu em 2020, utilizando células congeladas em 1980. Também foi produzido um segundo clone, chamado Ollie em homenagem a Ryder. Ryder afirma que Kurt está a crescer e poderá vir a liderar a manada, além de já produzir esperma.

Fontes: La Vanguardia.