O ministro dos Transportes de Espanha, Óscar Puente, descartou demitir-se após dois acidentes mortais em linhas ferroviárias de alta velocidade em nove meses, afirmando que não tomou nem deixou de tomar qualquer decisão política que tenha contribuído para os acidentes. Disse compreender por que algumas pessoas lhe pediam que se demitisse, mas não deixaria o governo a menos de um mês das eleições.

Numa conferência de imprensa após uma reunião do Conselho de Ministros, Puente anunciou medidas sistémicas destinadas a melhorar a segurança ferroviária e respondeu a perguntas sobre quem deveria assumir a responsabilidade política caso o sistema tivesse falhado. Disse compreender os apelos de pessoas que considerava estarem a agir de boa-fé, incluindo Ada Colau, mas rejeitou os pedidos do líder do Partido Popular, Alberto Núñez Feijóo. Puente criticou o que descreveu como um duplo critério, referindo-se indiretamente à demissão tardia do antigo presidente regional Carlos Mazón.

O ministro também falou sobre a expansão e a liberalização da rede ferroviária de alta velocidade de Espanha. Disse que nunca foi um grande defensor da liberalização e que acreditava que a rede poderia ter crescido de forma mais gradual, com um operador público. Embora tenha observado que a concorrência proporcionou bilhetes mais baratos aos passageiros, afirmou que Renfe, Iryo e Ouigo acumularam perdas substanciais. Acrescentou que não havia provas que relacionassem a liberalização com os acidentes.

Puente reconheceu que a pressão política exercida por cidades que procuravam ligações de alta velocidade poderá ter levado a erros na expansão da rede. Disse que a questão deveria ser debatida a nível nacional e levantou a possibilidade de o investimento na expansão ter ocorrido à custa da manutenção de linhas mais antigas e muito utilizadas. Não atribuiu a culpa a nenhum governo ou indivíduo em particular.

Questionado sobre por que os comboios não utilizam um sistema como os existentes em aeronaves ou em alguns automóveis para detetar uma colisão iminente, Puente afirmou que o GPS não oferece o nível de precisão necessário para as ferrovias. Os sistemas de segurança ferroviária existentes baseiam-se na ocupação dos circuitos da via para identificar em que troço se encontra um comboio. Disse que o governo continuaria a explorar tecnologias que pudessem ajudar, observando, porém, que atualmente não existe uma solução desse tipo.

Fontes: El País Portada.