Há quatro gerações, a família Sanromà cultivava uvas em Vila-rodona, Tarragona, e vendia-as a granel à cooperativa local. Eduard Sanromà, de 34 anos, escolheu seguir um caminho diferente sem abandonar essa tradição agrícola. Depois de estudar enologia, começou a utilizar parte da colheita da família para produzir os seus próprios vinhos, fundando a Celler Sanromà em 2013.

A família possuía 30 hectares de vinhas, mas Sanromà reservou aproximadamente um terço para a adega, continuando a enviar o restante das uvas para a cooperativa. Durante os primeiros anos, de 2013 a 2015, trabalhou num espaço cedido pela cooperativa e começou com um tanque de 200 litros. Em 2018, comprou o edifício que atualmente abriga a adega com a ajuda de um subsídio de 30.000 € para jovens agricultores da Generalitat.

A Celler Sanromà produz atualmente cerca de 25.000 garrafas por ano e aproximadamente dez vinhos monovarietais. Sanromà colhe manualmente as uvas da adega e deixa a erva nas vinhas como parte da sua abordagem de baixa intervenção. O seu primeiro vinho chamou-se 125 porque produziu apenas essa quantidade de litros. O projeto inicialmente surpreendeu as pessoas da aldeia, sobretudo quando ele deixou cair metade das uvas durante o pintor, a fase em que começam a mudar de cor e a amadurecer.

Sanromà afirma que a sua família não compreendeu imediatamente a mudança. O seu avô, antigo presidente da cooperativa, teria ficado inquieto por algumas das uvas da família já não serem enviadas para a cooperativa. Os seus pais também se perguntavam por que razão ele estava a tornar o negócio mais complicado. Apesar de divergências ocasionais com o pai, Sanromà acredita ter conquistado respeito ao introduzir uma perspetiva diferente sobre a viticultura.

Uma parte central dessa abordagem é a recuperação de castas autóctones. Afirma que muitas variedades locais, incluindo sumoll e cartuja, desapareceram quando as cooperativas as substituíram por uvas como tempranillo e chardonnay. Depois de inicialmente herdar vinhas plantadas com macabeo e parellada, propôs reintroduzir variedades como xarel·lo e sumoll. Atualmente, utiliza-as em vinhos monovarietais destinados a expressar o caráter do território.

A adega começou a exportar desde os primeiros tempos, o que a ajudou a reinvestir enquanto a produção continuava limitada. Os seus atuais mercados de exportação incluem Nova Iorque, Bélgica, Países Baixos, Japão, Porto Rico e Portugal. Sanromà também continua a gerir o negócio familiar de venda de uvas, permitindo que as duas atividades se apoiem mutuamente durante períodos difíceis.

O projeto enfrentou a pandemia, perturbações do mercado, a seca, o encerramento de mercados importantes no Canadá e em Singapura, a diminuição do consumo de álcool e a pressão sobre os preços. Sanromà afirma ter aprendido a concentrar-se nos assuntos que estão sob o seu controlo, em vez de se fixar em acontecimentos externos que podem afetar o comércio internacional.

Os seus planos são continuar a cultivar mais variedades locais, produzir mais vinho e expandir as exportações, mantendo simultaneamente o controlo do negócio. Também vê a adega como parte de um esforço mais amplo para manter as comunidades rurais ativas: as vinhas apoiam restaurantes, a pecuária e a gestão do território, enquanto uma agricultura viável pode ajudar a impedir o desaparecimento da atividade agrícola.

Olhando para trás, Sanromà acredita que o seu avô teria orgulho de ver que o negócio continua através das vinhas que plantou e cuidou. O que começou como um afastamento do caminho estabelecido pela família tornou-se uma forma de o prolongar, com a mesma terra a sustentar uma nova geração de vinhos.

Fontes: La Vanguardia.